45 minutos de caminhada o levara de volta ao início do bairro em que morava.
Verificou o nome da rua. "Visconde".
Bem, estava a uns dois quilômetros de sua casa. Isso daria cerca de meia hora de caminhada.
Iria demorar a amanhecer.
Eram 3 horas da manhã.
Àquela hora não havia ônibus.
Foi caminhando lentamente pela rua deserta.
Viu ao longe um casal indo na mesma direção que ele.
Desacelerou o passo para perdê-los de vista. Queria ficar sozinho.
Ele não entendera o motivo daquele ataque súbito. Até onde se lembrava não possuía inimigo algum. Não devia dinheiro para ninguém. Não havia criado nenhum tipo de problema nos últimos tempos.
Nisso lembrou-se de sua adolescência e sua mão foi direto à cicatriz que tinha nas costas. Aqueles foram outros tempos. Ele ainda era uma criança, embora seu tamanho dissesse o contrário. Mas mudara nesses últimos 8 anos. Agora queria uma vida tranquila com alguém que lhe amasse.
Sim... e ele já encontrara essa pessoa.
Bastava lembrar-se de Gabriela que tudo o mais era secundário. Aquele sorriso ganhara seu coração.
Sentiu o impulso de ligar para ela, mas se conteve ao lembrar do bolo que acabara lhe dando por conta do mal acontecido que lhe acontecera. Ela certamente lhe perdoaria quando ele lhe contasse o que acontecera.
Numa esquina ao longe, viu as luzes de uma ambulância.
"Será que ela está no bar em que marcamos de nos encontrar?"
Percebeu que o bar era ali perto. Mudou seu rumo. Quem sabe as coisas se resolveriam ainda hoje.
Mas de repente olhou para sua camiseta e viu a mistura de terra e sangue que aqueles vândalos havia feito.
Foi então que percebeu que sua cabeça estava sangrando.
Tratou de apressa o passo para chegar logo em casa, tomar um banho e cuidar do ferimento.
Colocou o celular para despertar às 9:00h e adormeceu instantaneamente.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Vítimas
O desgosto do problema, quando ele surge imenso e imponente, é bem pior quando ele é conseqüência de uma atitude intencional e errada. Sabia que era errada, desde o início, e insistiu em fazer.
- O que eu faço?!
Perguntava seu colega. Era sempre assim: Jonas não conseguia tomar decisões sozinhos. Iria repetir a pergunta besta até que alguma resposta aparecesse.
- E se ele estiver morto?
- Vai conferir. Rápido.
Jonas saiu do carro e Vinicius pegou a arma de fogo em sua mão. O susto no rapaz acontecera tão bem: porque tinham que atropelar um motociclista aqui, duas quadras da casa abandonada? Como um castigo pelo que fizeram, o destino parecia querer transformá-los em assassinos mesmo quando se lembraram de trazer uma arma sem balas.
Mesmo que o motociclista não morresse. Daqui a pouco o homem sairia da casa abandonada, e os encontraria ali, esperando e esclarecendo a situação com a polícia. Poderiam simplesmente fugir, deixando para trás no meio da noite um corpo, sem saber se vivo ou morto?
- Acho que está vivo. Está respirando, e me respondeu, só que não consegui entender nada do que ele fala.
- Vamos colocá-lo no carro.
Vinicius se aproximou do corpo do músico, Jonas ao seu lado. Se o tirassem dali logo, o homem da casa abandonada não os veria.
- Podemos quebrar alguma coisa sem querer.
- O que vale é a intenção.
Não sabia de onde tirara tanto sangue frio. Jonas quase tremia de trão nervoso. Juntos, levaram o músico até o carro. Foi quando ouviram as sirenes.
- Droga. Jonas, leve o corpo embora, que eu vou sair andando com as armas. Se te encontrarem, diga que estava levando o cara pro hospital.
Falando isso, Vinicius arrumou seu casaco e deu alguns passos, era apenas um civil voltando para casa numa sexta a noite. A polícia chegava ao local do acidente. E ali estava Jonas, sem arma, apenas uma vítima da própria desatenção no trânsito.
- O que eu faço?!
Perguntava seu colega. Era sempre assim: Jonas não conseguia tomar decisões sozinhos. Iria repetir a pergunta besta até que alguma resposta aparecesse.
- E se ele estiver morto?
- Vai conferir. Rápido.
Jonas saiu do carro e Vinicius pegou a arma de fogo em sua mão. O susto no rapaz acontecera tão bem: porque tinham que atropelar um motociclista aqui, duas quadras da casa abandonada? Como um castigo pelo que fizeram, o destino parecia querer transformá-los em assassinos mesmo quando se lembraram de trazer uma arma sem balas.
Mesmo que o motociclista não morresse. Daqui a pouco o homem sairia da casa abandonada, e os encontraria ali, esperando e esclarecendo a situação com a polícia. Poderiam simplesmente fugir, deixando para trás no meio da noite um corpo, sem saber se vivo ou morto?
- Acho que está vivo. Está respirando, e me respondeu, só que não consegui entender nada do que ele fala.
- Vamos colocá-lo no carro.
Vinicius se aproximou do corpo do músico, Jonas ao seu lado. Se o tirassem dali logo, o homem da casa abandonada não os veria.
- Podemos quebrar alguma coisa sem querer.
- O que vale é a intenção.
Não sabia de onde tirara tanto sangue frio. Jonas quase tremia de trão nervoso. Juntos, levaram o músico até o carro. Foi quando ouviram as sirenes.
- Droga. Jonas, leve o corpo embora, que eu vou sair andando com as armas. Se te encontrarem, diga que estava levando o cara pro hospital.
Falando isso, Vinicius arrumou seu casaco e deu alguns passos, era apenas um civil voltando para casa numa sexta a noite. A polícia chegava ao local do acidente. E ali estava Jonas, sem arma, apenas uma vítima da própria desatenção no trânsito.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Vestido
Flávia, de repente despertou de seus pensamentos devido à um barulho vindo da rua.
Não sabia quanto tempo ficara ali, parada na porta.
Tentou distiguir qual era o barulho que havia ouvido.
Não, não era nada importante. Somente o barulho do ônibus passando na rua em frente à seu prédio.
Entrou novamente em seu apartamento, fechou a porta e caminhou em direção ao fogão. Precisava de outro café. Precisava pensar o que faria naquele dia. Precisava não criar expectativas por um estranho maluco. Precisava...
Ela se viu retratada nele. Aquele desespero. Aquela angústia. Aquele gosto amargo do fracasso, da desilusão. Aquilo foi tão humano. É tão raro de ver. As pessoas usam máscaras. Não revelam seus sentimentos. Nem aqueles mais próximos a ela tinham sido tão verdadeiros quanto aquele rapaz.
Enquanto bebia seu café, colocou Janis Joplin na vitrola. Abriu as cortinas. Deixou o sol entrar. Tirou os sapatos. Andou descalça sentindo nos pés nus o assoalho gelado. Soltou os cabelos. Esqueceu do cigarro.Foi ao guarda-roupas e escolheu aquele vestido leve e delicado que a tanto tempo não vestia e foi tomar um bom e belo banho.
Ela não havia dormido a noite inteira, mas seu corpo não estava com o menor sinal de exaustão. Pelo contrário, sentia toda disposição para fazer uma caminhada de horas, para dançar, para viver.
Um banho nunca fora tão agradável quanto aquele. Nenhuma roupa foi antes tão confortável quanto aquele vestido naquele momento.
Se sentia livre.
Mas precisava se conter. Ela estava assim por causa de um estranho. "Calma Flávia! Controle-se! Pode ser que nunca mais o veja!".
Mas alguma coisa lhe dizia que iria esbarrar com ele novamente pela rua.
Ela tinha certeza.
Não sabia quanto tempo ficara ali, parada na porta.
Tentou distiguir qual era o barulho que havia ouvido.
Não, não era nada importante. Somente o barulho do ônibus passando na rua em frente à seu prédio.
Entrou novamente em seu apartamento, fechou a porta e caminhou em direção ao fogão. Precisava de outro café. Precisava pensar o que faria naquele dia. Precisava não criar expectativas por um estranho maluco. Precisava...
Ela se viu retratada nele. Aquele desespero. Aquela angústia. Aquele gosto amargo do fracasso, da desilusão. Aquilo foi tão humano. É tão raro de ver. As pessoas usam máscaras. Não revelam seus sentimentos. Nem aqueles mais próximos a ela tinham sido tão verdadeiros quanto aquele rapaz.
Enquanto bebia seu café, colocou Janis Joplin na vitrola. Abriu as cortinas. Deixou o sol entrar. Tirou os sapatos. Andou descalça sentindo nos pés nus o assoalho gelado. Soltou os cabelos. Esqueceu do cigarro.Foi ao guarda-roupas e escolheu aquele vestido leve e delicado que a tanto tempo não vestia e foi tomar um bom e belo banho.
Ela não havia dormido a noite inteira, mas seu corpo não estava com o menor sinal de exaustão. Pelo contrário, sentia toda disposição para fazer uma caminhada de horas, para dançar, para viver.
Um banho nunca fora tão agradável quanto aquele. Nenhuma roupa foi antes tão confortável quanto aquele vestido naquele momento.
Se sentia livre.
Mas precisava se conter. Ela estava assim por causa de um estranho. "Calma Flávia! Controle-se! Pode ser que nunca mais o veja!".
Mas alguma coisa lhe dizia que iria esbarrar com ele novamente pela rua.
Ela tinha certeza.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Mensagem enviada
Conferiu a entrada para recarga do celular perdido. Comparou com a sua. Eram diferentes, seu carregador não serviria. Mas a entrada parecia estranhamente familiar. Sentiu um certo prazer quando a lembrança veio em sua mente, brilhando e alvoroçada.
Jorge guardou os dois celulares, parecia que o destino havia lhe dado uma missão: devolver o celular a sua dona. E junto com a missão, uma desculpa para falar com quem mais queria.
Aquilo com certeza salvava a sua noite. Tentou lembrar se já havia visto aquela entrada de recarga de celular em outro lugar. Mas não conseguia. Uma, apenas uma pessoa, linda, maravilhosa, encantadora, só ela tinha um carregador que encaixasse ali.
Pagou o que devia, e saiu contente do bar. Seguindo pelas ruas, em direção a seu apartamento, percebeu um acidente a frente. Um carro amassado, encostado, pisca alerta ligado, uma moto caída, vultos de seres humanos. Havia um corpo jogado. Parecia ter sido recente.
Jorge pensou em parar e ajudar. Mas não havia muito que quisesse fazer. Então, mesmo dirigindo embriagado, ligou para a polícia.
"Polícia Federal Boa noite"
"Houve um acidente entre um carro e uma moto entre a avenida Getúlio Vargas e a rua Emílio Figueiredo Luz. E houve feridos, sugiro uma ambulância."
"Você está no local do acidente?"
Desligou. O recado estava dado. E já estava na frente do seu prédio. Enquanto o portão eletrônico abria, digitou em seu celular. Não queria ligar para ele tão tarde, mas a mensagem seria lida quando ele acordasse.
"Bom dia meu querido! Quando acordar por favor me ligue, sei que disse que não te ligaria mais, mas estou precisando de uma ajudinha sua. Um forte abraço!"
Enviar para: Eduardo. Enviando mensagem. Mensagem enviada.
E, ao lado da carteira, sobre o criado-mudo, um celular vibrava: "1 nova mensagem".
Jorge guardou os dois celulares, parecia que o destino havia lhe dado uma missão: devolver o celular a sua dona. E junto com a missão, uma desculpa para falar com quem mais queria.
Aquilo com certeza salvava a sua noite. Tentou lembrar se já havia visto aquela entrada de recarga de celular em outro lugar. Mas não conseguia. Uma, apenas uma pessoa, linda, maravilhosa, encantadora, só ela tinha um carregador que encaixasse ali.
Pagou o que devia, e saiu contente do bar. Seguindo pelas ruas, em direção a seu apartamento, percebeu um acidente a frente. Um carro amassado, encostado, pisca alerta ligado, uma moto caída, vultos de seres humanos. Havia um corpo jogado. Parecia ter sido recente.
Jorge pensou em parar e ajudar. Mas não havia muito que quisesse fazer. Então, mesmo dirigindo embriagado, ligou para a polícia.
"Polícia Federal Boa noite"
"Houve um acidente entre um carro e uma moto entre a avenida Getúlio Vargas e a rua Emílio Figueiredo Luz. E houve feridos, sugiro uma ambulância."
"Você está no local do acidente?"
Desligou. O recado estava dado. E já estava na frente do seu prédio. Enquanto o portão eletrônico abria, digitou em seu celular. Não queria ligar para ele tão tarde, mas a mensagem seria lida quando ele acordasse.
"Bom dia meu querido! Quando acordar por favor me ligue, sei que disse que não te ligaria mais, mas estou precisando de uma ajudinha sua. Um forte abraço!"
Enviar para: Eduardo. Enviando mensagem. Mensagem enviada.
E, ao lado da carteira, sobre o criado-mudo, um celular vibrava: "1 nova mensagem".
Celular
Ela acordara com a mesma roupa com que tinha saído na noite anterior.
Sua cabeça rodava e tinha uma forte dor a pulsar.
A luz lhe feria os olhos e ela tentava recapitular o que havia ocorrido.
Procurou o celular para ver que horas eram, mas ele não estava à vista.
Ela sabia que não devia ter bebido tanto... é sempre assim, acabava com si mesma por causa daqueles que gostava.
Passava a noite chorando por nada.
Maldito Cláudio! Nunca mais iria olhar na sua cara.
Ela tinha que começar a se auto valorizar. Sempre se arrastava aos pés daqueles com quem estava envolvida.
Dessa vez seria diferente.
Levantou-se devagar. Seu corpo estava frágil. Precisava de água.
Olhou no espelho. "Que horror!"
Procurou por seu celular.
Nada. Deve te-lo perdido. Também, no estado que estava. Chegara a cair. Céus, que vergonha. Definitivamente não repetiria tal ato.
Dane-se. Assim seria melhor. Cláudio não poderia lhe incomodar caso se arrependesse do bolo que lhe dera.
E o ódio por Cláudio cada vez aumentava mais.
Revirou suas coisas. Pegou as poucas fotos que tiraram naquele primeiro mês. Fitou-as pela última vez. Depois rasgou uma a uma.
Vendo por esse ângulo, ainda bem que fora só um mês, assim tinha poucas coisas a se desfazer.
"Ai minha cabeça!"
Sua cabeça rodava e tinha uma forte dor a pulsar.
A luz lhe feria os olhos e ela tentava recapitular o que havia ocorrido.
Procurou o celular para ver que horas eram, mas ele não estava à vista.
Ela sabia que não devia ter bebido tanto... é sempre assim, acabava com si mesma por causa daqueles que gostava.
Passava a noite chorando por nada.
Maldito Cláudio! Nunca mais iria olhar na sua cara.
Ela tinha que começar a se auto valorizar. Sempre se arrastava aos pés daqueles com quem estava envolvida.
Dessa vez seria diferente.
Levantou-se devagar. Seu corpo estava frágil. Precisava de água.
Olhou no espelho. "Que horror!"
Procurou por seu celular.
Nada. Deve te-lo perdido. Também, no estado que estava. Chegara a cair. Céus, que vergonha. Definitivamente não repetiria tal ato.
Dane-se. Assim seria melhor. Cláudio não poderia lhe incomodar caso se arrependesse do bolo que lhe dera.
E o ódio por Cláudio cada vez aumentava mais.
Revirou suas coisas. Pegou as poucas fotos que tiraram naquele primeiro mês. Fitou-as pela última vez. Depois rasgou uma a uma.
Vendo por esse ângulo, ainda bem que fora só um mês, assim tinha poucas coisas a se desfazer.
"Ai minha cabeça!"
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Violão
Tocar na noite era um hobbie novo. Algumas vezes tocava de graça. Tocava porque gostava que admirassem sua música, seu talento, suas idéias saindo de seu violão e entrando na mente do público. Mas naquele dia não eram suas idéias que iam até o público, era a idéia de Gabriela que entrava e ficava ribombando.
Quando chegou em sua moto, cansado, já era tarde. Será que Gabriela esperava que ele ligasse? Pegou o bilhete e digitou em seu celular o número dela. Provavelmente a acordaria. Era muito tarde. Seria inconveniente. Guardou a nota fiscal com zelo em sua carteira. Ligou sua moto. Isso podia esperar.
Não colocou capacete. Quis sentir o vento em seu rosto. A noite já fora frustrante em demasia. Queria tanto vê-la. Sentia o vazio deixado pela estranha. Por que tinha de ser assim, ao acaso? Por que não poderia simplesmente se apaixonar por alguma melhor amiga?
"Quando ela acordar, terá uma surpresa." ele pensava "Não tenho medo de mostrar o que sinto. Vou ligar amanhã mesmo. Vou mostrar meu interesse.". O medo de não mais a ver o estrangulava. Dirigindo sua moto barata, pegou seu celular e começou a digitar uma mensagem enquanto acelerava nas ruas vazias.
"Bom dia querida. Te ligo mais tarde. Beijos, seu músico" Enviar. Distração. Carro no cruzamento. Desvio para a esquerda. Giro no ar. Som alto de pneu. Moto arrastando. Corpo lançado para longe. Sangue quente no asfalto frio.
Mas não se preocupe. O violão está bem.
Quando chegou em sua moto, cansado, já era tarde. Será que Gabriela esperava que ele ligasse? Pegou o bilhete e digitou em seu celular o número dela. Provavelmente a acordaria. Era muito tarde. Seria inconveniente. Guardou a nota fiscal com zelo em sua carteira. Ligou sua moto. Isso podia esperar.
Não colocou capacete. Quis sentir o vento em seu rosto. A noite já fora frustrante em demasia. Queria tanto vê-la. Sentia o vazio deixado pela estranha. Por que tinha de ser assim, ao acaso? Por que não poderia simplesmente se apaixonar por alguma melhor amiga?
"Quando ela acordar, terá uma surpresa." ele pensava "Não tenho medo de mostrar o que sinto. Vou ligar amanhã mesmo. Vou mostrar meu interesse.". O medo de não mais a ver o estrangulava. Dirigindo sua moto barata, pegou seu celular e começou a digitar uma mensagem enquanto acelerava nas ruas vazias.
"Bom dia querida. Te ligo mais tarde. Beijos, seu músico" Enviar. Distração. Carro no cruzamento. Desvio para a esquerda. Giro no ar. Som alto de pneu. Moto arrastando. Corpo lançado para longe. Sangue quente no asfalto frio.
Mas não se preocupe. O violão está bem.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Ao amanhecer
Pronto, amanhecera.
Ele iria embora.
Mas qual era a diferença desse momento comparado às últimas 3 horas?
os dois permaneceram em silêncio. Nem uma palavra se quer.
Ela não sabia o que dizer.
Ele nem sequer tentava.
Ela olhava para aquele rosto cabisbaixo, com o olhar perdido em algum lugar que ultrapassava o chão. Ele segurava a xícara de café entre as mãos, como se tentasse se aquecer com o calor do café, que há horas esfriara.
Ela não lembrava bem, mas se ele havia bebido 2 ou 3 goles, era muito.
Queria tanto decifrar aquele rosto sem expressão com olhos distantes.
De repente ele olhou para frente, se voltou para a janela, colocou a xícara sobre a mesa, esfregou o rosto e voltou-se para ela.
- Poxa Flávia, muito obrigado. Nem sei como lhe agradecer. Vou parar de lhe atrapalhar. Agora já devo conseguir entrar em casa.
- Tem certeza que já vai? Será que não é bom esperar mais um pouco?
- Não, não. Tenho que ir. Tenho coisas a resolver e não quero tomar seu tempo.
- Está bem então. Bom, você sabe onde moro, qualquer coisa que precisar é só bater.
- Vou me lembrar disso. - e sorriu.
Ela abriu a porta para ele.
Ele desceu rapidamente as escadas, sumindo pelo corredor.
E ela ficou parada na porta, esperando que ele voltasse.
Ele iria embora.
Mas qual era a diferença desse momento comparado às últimas 3 horas?
os dois permaneceram em silêncio. Nem uma palavra se quer.
Ela não sabia o que dizer.
Ele nem sequer tentava.
Ela olhava para aquele rosto cabisbaixo, com o olhar perdido em algum lugar que ultrapassava o chão. Ele segurava a xícara de café entre as mãos, como se tentasse se aquecer com o calor do café, que há horas esfriara.
Ela não lembrava bem, mas se ele havia bebido 2 ou 3 goles, era muito.
Queria tanto decifrar aquele rosto sem expressão com olhos distantes.
De repente ele olhou para frente, se voltou para a janela, colocou a xícara sobre a mesa, esfregou o rosto e voltou-se para ela.
- Poxa Flávia, muito obrigado. Nem sei como lhe agradecer. Vou parar de lhe atrapalhar. Agora já devo conseguir entrar em casa.
- Tem certeza que já vai? Será que não é bom esperar mais um pouco?
- Não, não. Tenho que ir. Tenho coisas a resolver e não quero tomar seu tempo.
- Está bem então. Bom, você sabe onde moro, qualquer coisa que precisar é só bater.
- Vou me lembrar disso. - e sorriu.
Ela abriu a porta para ele.
Ele desceu rapidamente as escadas, sumindo pelo corredor.
E ela ficou parada na porta, esperando que ele voltasse.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Quase
Espionar o distraíra, e levara um susto quando o homem parou de urinar e abaixou-se. Jorge e o estranho se encararam sem querer por um instante, e depois desviaram juntos. Como o senhor havia descoberto que Jorge espionava seus pés? Não sabia, mas a situação estava constrangedora demais. Saiu rapidamente do banheiro, e na pressa esbarrou com força em uma garota distraida, atrás do biombo que conduzia aos dois banheiros.
Pediu desculpas, ela parecia bem embriagada, logo se recompôs. Jorge sentou-se na mesa mais próxima, ainda abalado pela visão do homem. Quando este saiu do banheiro, Jorge olhava o músico, e fingiu que não o percebia. E assim parecia acabar tudo bem.
Apesar da música, Jorge percebeu um barulhinho estranho, ao fundo. Parecia um celular vibrando. Aguardou que a pessoa atendesse. Demorou, mas o celular parou. Não conseguira identificar de onde vinha o som. Logo depois, a garota saiu do banheiro, e foi embora. O celular tocou novamente. Jorge prestou atenção. Vinha de uma mesa sozinha. Ao procurar o aparelho que vibrava sem parar, encontrou um celular jogado no chão. Quando o pegou nas mãos, viu o nome de quem ligava: Cláudio. No lado do nome, um coração cor-de-rosa. Olhou em volta procurando o dono ou dona. Não encontrou. Quando decidiu atender, um aviso "Bateria fraca", seguido de dois toques altos e a tela apagada.
"Hoje não é meu dia." pensou, e sentou-se novamente. "Que presunção a minha. Achar que algum dia ainda poderia ser meu..."
Pediu desculpas, ela parecia bem embriagada, logo se recompôs. Jorge sentou-se na mesa mais próxima, ainda abalado pela visão do homem. Quando este saiu do banheiro, Jorge olhava o músico, e fingiu que não o percebia. E assim parecia acabar tudo bem.
Apesar da música, Jorge percebeu um barulhinho estranho, ao fundo. Parecia um celular vibrando. Aguardou que a pessoa atendesse. Demorou, mas o celular parou. Não conseguira identificar de onde vinha o som. Logo depois, a garota saiu do banheiro, e foi embora. O celular tocou novamente. Jorge prestou atenção. Vinha de uma mesa sozinha. Ao procurar o aparelho que vibrava sem parar, encontrou um celular jogado no chão. Quando o pegou nas mãos, viu o nome de quem ligava: Cláudio. No lado do nome, um coração cor-de-rosa. Olhou em volta procurando o dono ou dona. Não encontrou. Quando decidiu atender, um aviso "Bateria fraca", seguido de dois toques altos e a tela apagada.
"Hoje não é meu dia." pensou, e sentou-se novamente. "Que presunção a minha. Achar que algum dia ainda poderia ser meu..."
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Concentração
Ele tinha uma funcão a desempenhar, mas seu desejo era sentar naquela mesa e tentar saber mais sobre aquela garota cujo sorriso lhe chamara a atencão.
Ela ficou na defensiva na sua primeira tentativa de aproximacão. Mas enfim dissera seu nome. Gabriela. Ela não esqueceria esse nome tão cedo.
Ainda iria conversar com ela até o final da noite. No seu próximo intervalo iria tentar conquistar pelo menos o seu carisma, para poder alcancar seu objetivo.
Mas agora era preciso se concentrar no show. Iria tocar maravilhosamente bem, para tentar impressioná-la.
Qual era mesmo aquela cancão que elogiava uma Gabriela?
Ele tinha tido um sonho na noite anterior. Sonhou com um romance feliz. Com idas aos parques e cinemas nas quintas à noite. Os fins de semana sempre encantadores, ao lado de alguém que lhe faria extremamente feliz.
Acordou até empolgado, pensando que talvez aquele seria o dia de mudar a sua vida.
"Ela levantara. Onde será que ela havia ido?
Tentou não procurá-la, concentrar-se na música, no show."
De repente um barulho.
"Será que lhe acontecera algo?
Não deve ter sido nada. Concentração! Sorria para seu público enquanto sua dama não estiver presente."
"Onde será que ela está?"
De relance viu a mão de alguém perto da caixa de som. Virou-se em puro reflexo e então a vira. Já estava angustiado. A falta repentina... mas aí estava ela novamente. Então notou, ela lhe deixara algo.
"Concentração! Continue seu show"
Ela ficou na defensiva na sua primeira tentativa de aproximacão. Mas enfim dissera seu nome. Gabriela. Ela não esqueceria esse nome tão cedo.
Ainda iria conversar com ela até o final da noite. No seu próximo intervalo iria tentar conquistar pelo menos o seu carisma, para poder alcancar seu objetivo.
Mas agora era preciso se concentrar no show. Iria tocar maravilhosamente bem, para tentar impressioná-la.
Qual era mesmo aquela cancão que elogiava uma Gabriela?
Ele tinha tido um sonho na noite anterior. Sonhou com um romance feliz. Com idas aos parques e cinemas nas quintas à noite. Os fins de semana sempre encantadores, ao lado de alguém que lhe faria extremamente feliz.
Acordou até empolgado, pensando que talvez aquele seria o dia de mudar a sua vida.
"Ela levantara. Onde será que ela havia ido?
Tentou não procurá-la, concentrar-se na música, no show."
De repente um barulho.
"Será que lhe acontecera algo?
Não deve ter sido nada. Concentração! Sorria para seu público enquanto sua dama não estiver presente."
"Onde será que ela está?"
De relance viu a mão de alguém perto da caixa de som. Virou-se em puro reflexo e então a vira. Já estava angustiado. A falta repentina... mas aí estava ela novamente. Então notou, ela lhe deixara algo.
"Concentração! Continue seu show"
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Nota Fiscal
"Talvez seja melhor eu ir embora". Sentia que talvez estivesse julgando mal as coisas. Sabia que não devia beber muito, ainda mais sozinha. No momento, não via nada de errado no que estava fazendo ou planejando fazer. Mas em seu íntimo, suas expeiências passadas diziam que não deveria confiar no próprio bom senso.
"Não vou continuar aqui, já cai no chão, aquele músico vai me seduzir, não sei se quero isso."
"Claro que quero isso."
"Não confio em você!"
"Você está confusa"
"Melhor ir embora"
"Sozinha? De novo?"
"Deve ter acontecido alguma coisa com Cláudio"
"Aqueles olhos..."
Uma idéia surgiu em sua mente, e ela decidiu seguí-la. Pegou um papel - uma nota fiscal - em sua bolsa, uma caneta, e anotou seu nome e seu celular. "Hoje não vou tomar decisões importantes, mas amanhã já poderei..."
Saiu do banheiro discretamente e foi direto até o balcão do bar. Fechou sua conta, pagou tudo, mal foi vista. Antes de sair, passou pelo lado do palco e colocou a nota suavemente ao lado de uma caixa de som. O músico a olhava, ela retribui o olhar rapidamente, depois virou-se e saiu, concentrada para não cair do salto.
Ao sair do bar, sentiu-se idiota, voltando para casa sozinha, bêbada, e depois de seduzir um cantor de bar. Poderia pegar um táxi, mas deixou suas pernas conduzirem até onde elas quisessem. "Vamos, para casa, acho eu".
"Não vou continuar aqui, já cai no chão, aquele músico vai me seduzir, não sei se quero isso."
"Claro que quero isso."
"Não confio em você!"
"Você está confusa"
"Melhor ir embora"
"Sozinha? De novo?"
"Deve ter acontecido alguma coisa com Cláudio"
"Aqueles olhos..."
Uma idéia surgiu em sua mente, e ela decidiu seguí-la. Pegou um papel - uma nota fiscal - em sua bolsa, uma caneta, e anotou seu nome e seu celular. "Hoje não vou tomar decisões importantes, mas amanhã já poderei..."
Saiu do banheiro discretamente e foi direto até o balcão do bar. Fechou sua conta, pagou tudo, mal foi vista. Antes de sair, passou pelo lado do palco e colocou a nota suavemente ao lado de uma caixa de som. O músico a olhava, ela retribui o olhar rapidamente, depois virou-se e saiu, concentrada para não cair do salto.
Ao sair do bar, sentiu-se idiota, voltando para casa sozinha, bêbada, e depois de seduzir um cantor de bar. Poderia pegar um táxi, mas deixou suas pernas conduzirem até onde elas quisessem. "Vamos, para casa, acho eu".
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Uma xícara de café
Ela não sabia bem o que fazer.
Aquele rapaz, sentado em seu sofá lhe intrigava.
Por certo, muitas vezes ela também pensara em fazer o mesmo que ele.
Perdeu a conta de quantas vezes de debruçara na janela.
Agora percebera que aquilo não era a melhor solução.
Preparou o café e receosa o levou até seu visitante.
Não sabia bem o que falar.
- Espero que goste.
- Obrigado. Desculpe estar lhe causando todo esse transtorno. Prometo que logo irei embora.
- Não se preocupe. Não está me incomodando.
- Você é muito bondosa. O mundo seria bem melhor se houvesse mais pessoas como você.
- Obrigada pelo elogio, mas não faço mais do que minha consciência indica. O que você faz diariamente? Quais são suas atividades?
- Ah... eu curso História e tento ocupar o restante do meu tempo com coisas à toa... isso nem sempre faz bem...
- É, eu sei. Mas História é legal.
- É sim, se você tivesse mais perspectivas profissionais além de se tornar professor, o curso seria perfeito... Mas temos poucas escolhas.
- Hum... você já pesquisou o mercado de trabalho mais a fundo?
- Esse é o ponto de vista que tenho... não sei que oportunidades existem fora desse escopo.
- Você pode pesquisar mais a fundo.
- É, poderia, se ainda tivesse motivação.
...
- O café está bom?
- Está sim, obrigado.
Pronto, o assunto acabara. Ela não sabia mais como encarar seu estranho visitante.
Quanto tempo faltaria para o raiar do dia?
O que fizera ele se jogar pela janela? A falta de perspectivas profissionais? Não poderia ser só isso. Afinal, sempre é possível redescobrir novas áreas de interesse.
Será que desejava mesmo saber o motivo do ato dele?
Já não sabia mais.
Aquele rapaz, sentado em seu sofá lhe intrigava.
Por certo, muitas vezes ela também pensara em fazer o mesmo que ele.
Perdeu a conta de quantas vezes de debruçara na janela.
Agora percebera que aquilo não era a melhor solução.
Preparou o café e receosa o levou até seu visitante.
Não sabia bem o que falar.
- Espero que goste.
- Obrigado. Desculpe estar lhe causando todo esse transtorno. Prometo que logo irei embora.
- Não se preocupe. Não está me incomodando.
- Você é muito bondosa. O mundo seria bem melhor se houvesse mais pessoas como você.
- Obrigada pelo elogio, mas não faço mais do que minha consciência indica. O que você faz diariamente? Quais são suas atividades?
- Ah... eu curso História e tento ocupar o restante do meu tempo com coisas à toa... isso nem sempre faz bem...
- É, eu sei. Mas História é legal.
- É sim, se você tivesse mais perspectivas profissionais além de se tornar professor, o curso seria perfeito... Mas temos poucas escolhas.
- Hum... você já pesquisou o mercado de trabalho mais a fundo?
- Esse é o ponto de vista que tenho... não sei que oportunidades existem fora desse escopo.
- Você pode pesquisar mais a fundo.
- É, poderia, se ainda tivesse motivação.
...
- O café está bom?
- Está sim, obrigado.
Pronto, o assunto acabara. Ela não sabia mais como encarar seu estranho visitante.
Quanto tempo faltaria para o raiar do dia?
O que fizera ele se jogar pela janela? A falta de perspectivas profissionais? Não poderia ser só isso. Afinal, sempre é possível redescobrir novas áreas de interesse.
Será que desejava mesmo saber o motivo do ato dele?
Já não sabia mais.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Maquiagem
Em sua cabeça ebuliam pensamentos, falavam de dever, deve, não deve, mas sua bebida dissolvia estes pensamentos e a deixava vazia, apenas olhando o músico nos olhos, flertando-o sem censura música após música. Quando algum pensamento desagradável lhe voltava a mente, apertava o celular com força, e esquecia. Naquela noite, ela poderia fazer qualquer coisa.
"Será que chorei?". Tocou espontaneamente abaixo dos olhos. Achava que não, mas não tinha certeza. Vislumbrou-se chorando em casa, sozinha, molhando o próprio travesseiro, este já tão cansado de abafar seus gritos silenciosos. Mas ela faria diferente. Esta noite, nada mais importaria, e ela seria como uma folha seca, voando livremente por onde os ventos a levam. Sem medo. Sem censura. Sem motivo para não ser assim.
"Droga, será que borrei minha maquiagem?". Na distração, poderia tê-lo feito. Mas precisava estar bonita. Queria aqueles olhos para ela. Levantou-se, com o celular ainda na mão, e caminhou até o banheiro. No caminho, deu uma olhadinha para o músico, tentando ser sensual. Foi o suficiente para esbarrar em um senhor que saia apressado detrás do biombo que escondia a entrada para os dois banheiros.
Provavelmente o senhor não estava tão embriagado quanto ela. Ao menos não caiu no chão, como ela. O senhor veio desculpar-se, ajudou-a a se levantar, só então percebeu como estava cambaleante. Temia a reação do seu fã, mas este, do palco, não interrompeu a música. Com medo de olhá-lo, entrou rápido atrás do biombo e então no banheiro. Olhou-se no espelho: "Minha maquiagem está boa. Mas com que cara saio daqui? Acho que hoje eu termino chorando em casa, mesmo. De novo...".
"Será que chorei?". Tocou espontaneamente abaixo dos olhos. Achava que não, mas não tinha certeza. Vislumbrou-se chorando em casa, sozinha, molhando o próprio travesseiro, este já tão cansado de abafar seus gritos silenciosos. Mas ela faria diferente. Esta noite, nada mais importaria, e ela seria como uma folha seca, voando livremente por onde os ventos a levam. Sem medo. Sem censura. Sem motivo para não ser assim.
"Droga, será que borrei minha maquiagem?". Na distração, poderia tê-lo feito. Mas precisava estar bonita. Queria aqueles olhos para ela. Levantou-se, com o celular ainda na mão, e caminhou até o banheiro. No caminho, deu uma olhadinha para o músico, tentando ser sensual. Foi o suficiente para esbarrar em um senhor que saia apressado detrás do biombo que escondia a entrada para os dois banheiros.
Provavelmente o senhor não estava tão embriagado quanto ela. Ao menos não caiu no chão, como ela. O senhor veio desculpar-se, ajudou-a a se levantar, só então percebeu como estava cambaleante. Temia a reação do seu fã, mas este, do palco, não interrompeu a música. Com medo de olhá-lo, entrou rápido atrás do biombo e então no banheiro. Olhou-se no espelho: "Minha maquiagem está boa. Mas com que cara saio daqui? Acho que hoje eu termino chorando em casa, mesmo. De novo...".
terça-feira, 3 de julho de 2007
No escuro
Um empurrão o fez bater contra o chão coberto de musgo.
Não ousou olhar para aqueles que estavam atrás dele.
- Dessa vez você escapou. Mas fique de olho aberto. Não serei tão bom da próxima vez.
Os caras saíram pela porta e o deixaram jogado no chão. Levaram sua carteira. Ainda tinha o celular. Ainda podia ligar para Gabriela. Ainda podia lhe explicar o que havia ocorrido. Poderia tê-la novamente em seus braços.
Sua cabeça latejava. O sangue lhe escorria pela face, pelos braços.
Pegou o celular e sem hesitar ligou para sua garota.
Ela não atendeu. Ligou novamente. Deu na secretária eletrônica. Ela não lhe atendeu e provavelmente não o faria tão cedo.
Decepcionado, levantou-se, sacudiu a roupa, tentou concentrar-se. Não sabia onde estava. Olhou a hora. 2 da manhã. Céu nublado. Lugar estranho. Pra que lado ir? Olhou a estrada a sua frente e decidiu seguir descendo o morro.
No dia seguinte iria até a casa dela. Explicaria tudo e seria feliz novamente.
Não ousou olhar para aqueles que estavam atrás dele.
- Dessa vez você escapou. Mas fique de olho aberto. Não serei tão bom da próxima vez.
Os caras saíram pela porta e o deixaram jogado no chão. Levaram sua carteira. Ainda tinha o celular. Ainda podia ligar para Gabriela. Ainda podia lhe explicar o que havia ocorrido. Poderia tê-la novamente em seus braços.
Sua cabeça latejava. O sangue lhe escorria pela face, pelos braços.
Pegou o celular e sem hesitar ligou para sua garota.
Ela não atendeu. Ligou novamente. Deu na secretária eletrônica. Ela não lhe atendeu e provavelmente não o faria tão cedo.
Decepcionado, levantou-se, sacudiu a roupa, tentou concentrar-se. Não sabia onde estava. Olhou a hora. 2 da manhã. Céu nublado. Lugar estranho. Pra que lado ir? Olhou a estrada a sua frente e decidiu seguir descendo o morro.
No dia seguinte iria até a casa dela. Explicaria tudo e seria feliz novamente.
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Espiando pés
Sabia que não tinha chance alguma. Mas a rejeição dói até nestes casos. "Você não o quer realmente, é outro o seu amado". Mesmo assim, ainda sentiu uma inveja da moça sentada sozinha, que recebera duas músicas e uma cantada. Obviamente ela era muito mais atraente para o músico.
Sua mão pendia no balcão. Segurava um bilhete com um telefone. Há horas se martirizava. Não queria querer, mas queria. Estava tão carente. Chegou a encarar o garçom e até um rapaz que viera com sua namorada. Isto antes mesmo de embriagar-se.
Quando acabou sua dose de whisky, caminhou até o banheiro masculino. Ali poderia encontrar o que queria. Mas estava vazio. Aproximou-se da lixeira, e em gesto teatral e simbólico, ameaçou jogar o papel que há horas segurava na lixeira. Mas parou seu movimento. "Que bobagem. O número está na minha agenda. Nunca tive coragem de apagar".
Jogou fora o papel, mesmo assim. Olhou-se no espelho. Entrou um homem no banheiro. Deveria ter a sua idade. Uns 45 anos. O desespero era grande, encarou-o de cima a baixo. O homem percebeu. Rapidamente entrou em uma cabine, e o barulho apressado da tranca.
Jorge não resistiu. Não devia estar muito certo. Abaixou-se, sentiu suas pernas doloridas, e espiou os pés do homem que urinava. E aquilo era bom. Pela simples sensação de estar espionando. Não é possível compreender nem a si mesmo.
Sua mão pendia no balcão. Segurava um bilhete com um telefone. Há horas se martirizava. Não queria querer, mas queria. Estava tão carente. Chegou a encarar o garçom e até um rapaz que viera com sua namorada. Isto antes mesmo de embriagar-se.
Quando acabou sua dose de whisky, caminhou até o banheiro masculino. Ali poderia encontrar o que queria. Mas estava vazio. Aproximou-se da lixeira, e em gesto teatral e simbólico, ameaçou jogar o papel que há horas segurava na lixeira. Mas parou seu movimento. "Que bobagem. O número está na minha agenda. Nunca tive coragem de apagar".
Jogou fora o papel, mesmo assim. Olhou-se no espelho. Entrou um homem no banheiro. Deveria ter a sua idade. Uns 45 anos. O desespero era grande, encarou-o de cima a baixo. O homem percebeu. Rapidamente entrou em uma cabine, e o barulho apressado da tranca.
Jorge não resistiu. Não devia estar muito certo. Abaixou-se, sentiu suas pernas doloridas, e espiou os pés do homem que urinava. E aquilo era bom. Pela simples sensação de estar espionando. Não é possível compreender nem a si mesmo.
terça-feira, 15 de maio de 2007
Um pouco mais de álcool
Ela olhou melhor para o rapaz a sua frente.
- Nossa, isso é demais para a minha pessoa. Posso saber o por que de tanto interesse?
- Eu diria que seu sorriso me encantou . E talvez fosse bom conhecer o que está por trás dele.
- Uhm... muito bom. Fico lisongeada. Pena que não houvi as dedicatórias que você fez para mim.
- É uma pena mesmo. Qualquer garota daria tudo para ter tido uma dedicatória como as que fiz para você. Todos no bar olharam para ver sua reação, e você continuava submersa em sesu pensamentos.
- Qualquer garota, é? Você não está se auto-promovendo demais, não?
Ela estava ríspida. Estava furiosa com Cláudio. E vinha esse cara falar abobrinhas ao seu ouvido. Por que não a deixava em paz?
- Talvez eu até esteja me auto-promovendo, se isso serivir para despertar sua atenção.
- O que você quer afinal?
- Isso é segredo. Posso te pagar um drink?
"Bom, ao menos é cavalheiro. Vejamos no que isso vai dar..."
- Aceito.
Ele sorri e pede um wisky com energético para ela.
- Agora terei que voltar ao meu show. Posso sabel qual é o seu nome?
- Gabriela.
- Muito prazer Gabriela! Meu nome é Gustavo e essa noite será toda dedicada a você!
Ele piscou para ela e voltou ao seu posto de música da noite.
Ela se perdeu naqueles olhos cor de mel. Começou a reparar melhor naquela aparição e sentiu-se feliz novamente. Mas já não sabia se era por causa do álcool ou pelo que acabara que acontecer.
- Nossa, isso é demais para a minha pessoa. Posso saber o por que de tanto interesse?
- Eu diria que seu sorriso me encantou . E talvez fosse bom conhecer o que está por trás dele.
- Uhm... muito bom. Fico lisongeada. Pena que não houvi as dedicatórias que você fez para mim.
- É uma pena mesmo. Qualquer garota daria tudo para ter tido uma dedicatória como as que fiz para você. Todos no bar olharam para ver sua reação, e você continuava submersa em sesu pensamentos.
- Qualquer garota, é? Você não está se auto-promovendo demais, não?
Ela estava ríspida. Estava furiosa com Cláudio. E vinha esse cara falar abobrinhas ao seu ouvido. Por que não a deixava em paz?
- Talvez eu até esteja me auto-promovendo, se isso serivir para despertar sua atenção.
- O que você quer afinal?
- Isso é segredo. Posso te pagar um drink?
"Bom, ao menos é cavalheiro. Vejamos no que isso vai dar..."
- Aceito.
Ele sorri e pede um wisky com energético para ela.
- Agora terei que voltar ao meu show. Posso sabel qual é o seu nome?
- Gabriela.
- Muito prazer Gabriela! Meu nome é Gustavo e essa noite será toda dedicada a você!
Ele piscou para ela e voltou ao seu posto de música da noite.
Ela se perdeu naqueles olhos cor de mel. Começou a reparar melhor naquela aparição e sentiu-se feliz novamente. Mas já não sabia se era por causa do álcool ou pelo que acabara que acontecer.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Fácil
A segunda caipirinha estava boa. O gin nem tanto, e foi por isso que pediu a terceira caipirinha. Mal chegara sua bebida quando um rapaz sentou-se em sua mesa. Uma esperança incontrolável a dominou. "Cláudio!". Mas não era. Teve que encará-los por segundos para perceber que a música havia parado e que o artista estava a sua frente.
- Distraída?
- Pois é.
- Nem percebeu nada.
- Eu te conheço?
- Ainda não.
Estava com um pouco de raiva. Há um minuto criara a ilusão de que esquecera de Cláudio, e a aparição do novo rapaz a fez perceber o quanto ainda o desejava. E ao desejar Cláudio, desejou não desejar, e observou o cantor. Percebeu seu cabelo liso e loiro, na altura do nariz. Era alto e mais forte do que Cláudio. Tinha charme. Na testa, maquiagem escondia uma espinha.
Ela riu. Ele sorriu. Ela olhou para o seu sorriso. "Tudo bem, me convenceu", pensou, tão fácil estava depois de tanto beber.
- O que eu deveria ter percebido?
- Dediquei duas músicas a você, e te observo desde que cheguei.
- Distraída?
- Pois é.
- Nem percebeu nada.
- Eu te conheço?
- Ainda não.
Estava com um pouco de raiva. Há um minuto criara a ilusão de que esquecera de Cláudio, e a aparição do novo rapaz a fez perceber o quanto ainda o desejava. E ao desejar Cláudio, desejou não desejar, e observou o cantor. Percebeu seu cabelo liso e loiro, na altura do nariz. Era alto e mais forte do que Cláudio. Tinha charme. Na testa, maquiagem escondia uma espinha.
Ela riu. Ele sorriu. Ela olhou para o seu sorriso. "Tudo bem, me convenceu", pensou, tão fácil estava depois de tanto beber.
- O que eu deveria ter percebido?
- Dediquei duas músicas a você, e te observo desde que cheguei.
Dizer-se-ia
Depois daquela frase e do choro inocente, Flavia finalmente decidiu tomar uma atitude.
Olhou bem nos olhos de Eduardo e lhe disse decidida:
- Muito bem Eduardo. Está na hora de você se recuperar. Minha casa fica a duas quadras daqui, e pelo jeito você não quebrou nenhuma perna. Sendo assim, você vai pra lá, deitar no sofá e descansar. Faltam pelo menos 3 horas para que alguém na sua casa acorde. Vamos!
- Não, não, não precisa. Eu ficarei bem aqui.
- Eu não disse que você teria escolha. Então ande.
Sem ter forças para entrar em discussão, e sabendo que se ficasse ali, passaria longas horas sob o sereno, concordou com Flávia, sem mais questionamentos.
O caminho até a casa dela foi marcada pelo silêncio.
O único ruído que se ouvia eram os passos de ambos.
Eduardo olhava para o chão, sem muito interesse por nada. Apenas olhava.
Flávia caminhava angustiada, fitando o rapaz ao seu lado de tempos em tempos. Sem saber o que realmente estava fazendo. Não sabia qual seria sua próxima atitude. Não sabia como reageria a qualquer ato que o outro tivesse. Dizer-ia-se até que estava com um pouco de medo. Mas algo lhe dizia que aquilo era o certo a fazer.
Pensou, "O certo a fazer...". Se olhasse para trás e visse cada dia que se passou, ela seria a última pessoa que poderia opinar na coisa certa a ser feita. Mas agora ela teria uma nova chance de recomeçar.
Chegaram ao apartamento de Flávia.
- Entre. Fique a vontade. Eu vou preparar um café.
Ele sentou-se no sofá, olhou em volta, admirou o ambiente e voltou a sua realidade. "O que eu fui fazer?".
Olhou bem nos olhos de Eduardo e lhe disse decidida:
- Muito bem Eduardo. Está na hora de você se recuperar. Minha casa fica a duas quadras daqui, e pelo jeito você não quebrou nenhuma perna. Sendo assim, você vai pra lá, deitar no sofá e descansar. Faltam pelo menos 3 horas para que alguém na sua casa acorde. Vamos!
- Não, não, não precisa. Eu ficarei bem aqui.
- Eu não disse que você teria escolha. Então ande.
Sem ter forças para entrar em discussão, e sabendo que se ficasse ali, passaria longas horas sob o sereno, concordou com Flávia, sem mais questionamentos.
O caminho até a casa dela foi marcada pelo silêncio.
O único ruído que se ouvia eram os passos de ambos.
Eduardo olhava para o chão, sem muito interesse por nada. Apenas olhava.
Flávia caminhava angustiada, fitando o rapaz ao seu lado de tempos em tempos. Sem saber o que realmente estava fazendo. Não sabia qual seria sua próxima atitude. Não sabia como reageria a qualquer ato que o outro tivesse. Dizer-ia-se até que estava com um pouco de medo. Mas algo lhe dizia que aquilo era o certo a fazer.
Pensou, "O certo a fazer...". Se olhasse para trás e visse cada dia que se passou, ela seria a última pessoa que poderia opinar na coisa certa a ser feita. Mas agora ela teria uma nova chance de recomeçar.
Chegaram ao apartamento de Flávia.
- Entre. Fique a vontade. Eu vou preparar um café.
Ele sentou-se no sofá, olhou em volta, admirou o ambiente e voltou a sua realidade. "O que eu fui fazer?".
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Casa abandonada
Havia uma revolta, um desespero que não movia um músculo do corpo de Cláudio. Seu sentimento girava em torno dele, um sentimento que nunca sentira, uma vontade de sobreviver. Queria muito chorar, mas tinha medo. Talvez precisasse de seus olhos limpos.
"Ele não tem porque me matar", tentava se convencer. "Tudo vai acabar bem". Mas sentia que estava se enganando. Sabia que estava ajoelhado por pouco tempo, mas este dilatou-se bruscamente, em cada momento de tensão. Quando percebeu que estava na mira de uma arma de fogo, quando ela tocou em sua nuca, gelada com a morte.
Perguntava-se porque, perguntava-se se deveria reagir. "É apenas um susto, ele vai me libertar". Talvez o pensamento positivo ajudasse. "Ele vai me libertar, ele vai me libertar".
Assustou-se quando sentiu seu celular vibrando no bolso da calça. Sentiu a amarga lembrança de sua namorada. Talvez nunca mais a visse. E ela chamaria em vão. Se não atendesse, talvez ela ligasse para a polícia. O último mês lhe passou pela cabeça. Exatamente quando esse mês parecia querer valer toda sua vida, essa tragédia.
Ouviu um barulho, parecia haver dois - se não três - atrás dele. Sentiu-se tremer. Fechou os olhos, esperando acordar quando os abrisse novamente. Enviou uma mensagem por pensamento para sua namorada "Desculpa, eu não volto. Te amei muito". Em seguida arrependeu-se profundamente do próprio ceticismo.
"Ele não tem porque me matar", tentava se convencer. "Tudo vai acabar bem". Mas sentia que estava se enganando. Sabia que estava ajoelhado por pouco tempo, mas este dilatou-se bruscamente, em cada momento de tensão. Quando percebeu que estava na mira de uma arma de fogo, quando ela tocou em sua nuca, gelada com a morte.
Perguntava-se porque, perguntava-se se deveria reagir. "É apenas um susto, ele vai me libertar". Talvez o pensamento positivo ajudasse. "Ele vai me libertar, ele vai me libertar".
Assustou-se quando sentiu seu celular vibrando no bolso da calça. Sentiu a amarga lembrança de sua namorada. Talvez nunca mais a visse. E ela chamaria em vão. Se não atendesse, talvez ela ligasse para a polícia. O último mês lhe passou pela cabeça. Exatamente quando esse mês parecia querer valer toda sua vida, essa tragédia.
Ouviu um barulho, parecia haver dois - se não três - atrás dele. Sentiu-se tremer. Fechou os olhos, esperando acordar quando os abrisse novamente. Enviou uma mensagem por pensamento para sua namorada "Desculpa, eu não volto. Te amei muito". Em seguida arrependeu-se profundamente do próprio ceticismo.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Nos lábios, um sorriso acolhedor
Deu alguns passos, olhou para o céu. Aquela lua que ela tinha vista pela janela estava realmente grandiosa. Andou até o fim da calçada, e ficou ali olhando aquela imensidão de água.
E sua mente viajou pelas profundezas do mar.
Viu cada coral, cada cardume que nadava num destino desconhecido.
Viu as medusas e as esponjas marinhas.
Lembrou da história da "Pequena sereia".
Essas histórias eram boas para estimular a criatividade das crianças.
Havia uma leve brisa no ar.
Ela olhou para o bar do qual acabara de sair.
"Uhm... por que não uma caipirinha?"
E voltou pra dentro do bar.
Foi aí que reparou que havia um espaço preparado para o músico da noite. É, haveria música ao vivo. Ótimo! Ela adorava.
Chamou o garçom e fez seu pedido.
22:10 h.
O músico começaria a tocar às 22:30 h.
Estava quase na hora.
O que fazer enquanto a caipirinha não estivesse pronta?
Olhou para sua bolsa. Pegou o celular e começou a passar os números. Um após o outro. Deletou o número do cara que lhe dera o bolo da noite. Ela valia mais que isso.
E foi recordando de cada nome, cada rosto, cada momento.
A caipirinha chegara. E ela continuara naquele exercício.
Uma história. Mais uma história. Mais outra.
Como sentia saudades daqueles momentos que ela estava recordando.
Precisava fazer isso mais vezes.
Estava sorrindo sozinha. Sabia que vivera. Que não se arrependia de nada.
Guardou o celular e ficou a olhar o mar, bebendo seu drink, lendo o livro da sua vida.
Nem percebera que o música já começara seu show e que o seu sorriso despertava a atenção de quem passava por sua mesa.
E sua mente viajou pelas profundezas do mar.
Viu cada coral, cada cardume que nadava num destino desconhecido.
Viu as medusas e as esponjas marinhas.
Lembrou da história da "Pequena sereia".
Essas histórias eram boas para estimular a criatividade das crianças.
Havia uma leve brisa no ar.
Ela olhou para o bar do qual acabara de sair.
"Uhm... por que não uma caipirinha?"
E voltou pra dentro do bar.
Foi aí que reparou que havia um espaço preparado para o músico da noite. É, haveria música ao vivo. Ótimo! Ela adorava.
Chamou o garçom e fez seu pedido.
22:10 h.
O músico começaria a tocar às 22:30 h.
Estava quase na hora.
O que fazer enquanto a caipirinha não estivesse pronta?
Olhou para sua bolsa. Pegou o celular e começou a passar os números. Um após o outro. Deletou o número do cara que lhe dera o bolo da noite. Ela valia mais que isso.
E foi recordando de cada nome, cada rosto, cada momento.
A caipirinha chegara. E ela continuara naquele exercício.
Uma história. Mais uma história. Mais outra.
Como sentia saudades daqueles momentos que ela estava recordando.
Precisava fazer isso mais vezes.
Estava sorrindo sozinha. Sabia que vivera. Que não se arrependia de nada.
Guardou o celular e ficou a olhar o mar, bebendo seu drink, lendo o livro da sua vida.
Nem percebera que o música já começara seu show e que o seu sorriso despertava a atenção de quem passava por sua mesa.
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Cansaço
- Você não pode ficar aí jogado, acabou de cair do terceiro andar. Não está doendo?
Eduardo encostou-se na parede. Olhou-a como quem olha nuvens. O mundo todo, aliás, parecia uma nuvem, e ele, um sonhador pastor sem ovelhas. Olhava as nuvens e tentava entender suas formas, mas, no fundo, nada daquilo tinha importância.
Há dias oscilava entre essa indiferença e sua angústia profunda, incurável e cheia de folhas e galhos, tentando se camuflar entre tudo o que precisava enfrentar a cada dia.
- Você está me tratando como se eu tivesse caído. Essa dor não é nada. Eu queria estar morto.
Patético, queria estar morto e não quebrara uma perna sequer. Era um falso. Não queria realmente estar morto. Só o que não queria era estar vivo.
Flávia assustou-se, e a pergunta, o questionamento óbvio do motivo da tentativa de suicídio, não chegou a sair de sua boca. Ela olhou para a expressão do rapaz, e sentiu seu cansaço. Foi repentino o entendimento, como um soco da realidade sobre seu estado temporário de quase animação: Aquele rapaz vivia no mesmo mundo que ela, capaz de exaurir jovens aos vinte anos.
O mesmo mundo que não podia ser real, mas estava ali, inacreditável, inconcebível, e o pior: Insistente em mostrar-se irreparável. Ela começou a chorar, sem a menor vergonha de suas lágrimas, na frente de um suicida.
Eduardo encostou-se na parede. Olhou-a como quem olha nuvens. O mundo todo, aliás, parecia uma nuvem, e ele, um sonhador pastor sem ovelhas. Olhava as nuvens e tentava entender suas formas, mas, no fundo, nada daquilo tinha importância.
Há dias oscilava entre essa indiferença e sua angústia profunda, incurável e cheia de folhas e galhos, tentando se camuflar entre tudo o que precisava enfrentar a cada dia.
- Você está me tratando como se eu tivesse caído. Essa dor não é nada. Eu queria estar morto.
Patético, queria estar morto e não quebrara uma perna sequer. Era um falso. Não queria realmente estar morto. Só o que não queria era estar vivo.
Flávia assustou-se, e a pergunta, o questionamento óbvio do motivo da tentativa de suicídio, não chegou a sair de sua boca. Ela olhou para a expressão do rapaz, e sentiu seu cansaço. Foi repentino o entendimento, como um soco da realidade sobre seu estado temporário de quase animação: Aquele rapaz vivia no mesmo mundo que ela, capaz de exaurir jovens aos vinte anos.
O mesmo mundo que não podia ser real, mas estava ali, inacreditável, inconcebível, e o pior: Insistente em mostrar-se irreparável. Ela começou a chorar, sem a menor vergonha de suas lágrimas, na frente de um suicida.
terça-feira, 10 de abril de 2007
21:00 h
À sua frente, a mesa redonda com uma toalha branca de renda. No
centro, um jarro com um arranjo simples de flores do campo.
20:50 h.
O encontro estava marcado para as 21:00 h.
Ela estava feliz. Logo ele estaria na sua frente, falando de milhares
de planos, gesticulando, sonhando com o futuro. E ela poderia ficar a
noite inteira a observar aquele rosto bonito.
Um mês.
Um mês de sonho. Tudo aquilo parecia mentira...
Era tudo tão perfeito.
E no meio disso tudo, vinha aquela pontinha de medo de que tudo
poderia acabar de uma hora pra outra.
Olhou ao seu redor. A iluminação ambiente deixava os clientes mais a
vontade. As paredes em cor laranja acentuavam o clima de bem-estar.
Alguns quadros pendurados na parede.
Numa mesa ao lado, um casal apaixonado, com brilhos nos olhos e as
mãos dadas. Não falavam nada. Apenas se olhavam.
No balcão um homem, com já seus 45 anos.
21:10 h. Logo ele chegaria.
Voltou a prestar atenção no homem do balcão.
Ele olhava para seu copo de wisky. Seu olhar era distante... Em que
será que estava pensando? Na mão pendente ao balcão um bilhete.
Que seria? Sua esposa o abandonara?
O telegrama de sua filha avisando que chegaria em poucos dias?
Alguma má notícia?
Um bilhete de loteria?
Ela não conseguia ler... estava sem seus óculos.
Aliás, sempre odiara seus óculos. Na escola aqueles malditos apelidos,
que todos já conhecem muito bem. Ainda bem que essa fase de escola
havia ficado para trás. Hoje era uma garota muito mais feliz.
21:30 h. Que será que aconteceu? Ele nunca se atrasara. Pegou o
celular, discou os números que ela já conhecia de cor e salteado e
aguardou que ele lhe dissesse um "Oi querida".
O telefone tocou.
E tocou.
Tocou de novo.
Caixa de mensagens.
"Quem sabe o celular não estava à mão?"
Ligou novamente.
O telefone chamou em vão. Ninguém atendeu.
centro, um jarro com um arranjo simples de flores do campo.
20:50 h.
O encontro estava marcado para as 21:00 h.
Ela estava feliz. Logo ele estaria na sua frente, falando de milhares
de planos, gesticulando, sonhando com o futuro. E ela poderia ficar a
noite inteira a observar aquele rosto bonito.
Um mês.
Um mês de sonho. Tudo aquilo parecia mentira...
Era tudo tão perfeito.
E no meio disso tudo, vinha aquela pontinha de medo de que tudo
poderia acabar de uma hora pra outra.
Olhou ao seu redor. A iluminação ambiente deixava os clientes mais a
vontade. As paredes em cor laranja acentuavam o clima de bem-estar.
Alguns quadros pendurados na parede.
Numa mesa ao lado, um casal apaixonado, com brilhos nos olhos e as
mãos dadas. Não falavam nada. Apenas se olhavam.
No balcão um homem, com já seus 45 anos.
21:10 h. Logo ele chegaria.
Voltou a prestar atenção no homem do balcão.
Ele olhava para seu copo de wisky. Seu olhar era distante... Em que
será que estava pensando? Na mão pendente ao balcão um bilhete.
Que seria? Sua esposa o abandonara?
O telegrama de sua filha avisando que chegaria em poucos dias?
Alguma má notícia?
Um bilhete de loteria?
Ela não conseguia ler... estava sem seus óculos.
Aliás, sempre odiara seus óculos. Na escola aqueles malditos apelidos,
que todos já conhecem muito bem. Ainda bem que essa fase de escola
havia ficado para trás. Hoje era uma garota muito mais feliz.
21:30 h. Que será que aconteceu? Ele nunca se atrasara. Pegou o
celular, discou os números que ela já conhecia de cor e salteado e
aguardou que ele lhe dissesse um "Oi querida".
O telefone tocou.
E tocou.
Tocou de novo.
Caixa de mensagens.
"Quem sabe o celular não estava à mão?"
Ligou novamente.
O telefone chamou em vão. Ninguém atendeu.
Olhou o mar pela janela. Estava belo. Bastante calmo.
Viu a lua no seu auje. Cheia. Toda branca. Iluminando a noite escura.
Viu o reflexo da mesma nas águas calmas à sua frente.
Olhou pra sua roupa. Mirou-se no espelho de bolsa.
Estava bela. Ela sabia.
21:40 h.
Pegou sua bolsa, levantou e foi embora.
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Ao lado da carteira sobre o criado-mudo.
Nunca havia quebrado osso algum, e seu julgamento ingênuo dizia que estava bem. Seu corpo todo lhe causava dor, mas sempre imaginara a dor de um osso partido maior que aquilo. Tivera uma sorte azarada, a grama e a terra amaciaram a queda.
Ela imaginava que poderia ter encontrado um amigo, simplesmente porque por pouco já não fizera, tantas vezes, a mesmíssima coisa. Ele temia que ela tivesse sentido o cheiro de seu hálito, com cachaça, e assim o julgasse. Ela começava a ter idéias sobre como a vida pode apresentar maneiras inusitadas de mostrar um príncipe encantado. Ele lembrava-se de onde deixara a chave de casa, ao lado da carteira, sobre o criado-mudo, em seu pequeno quarto. Ao mesmo tempo que sua mente rejeitava a hipótese de acordar todos os colegas de quarto durante a madrugada, ouvia um som baixo, totalmente reconhecível. Seu celular estava tocando, ao lado da carteira ao lado do celular, em seu criado-mudo.
O que é não atender a um telefonema para quem deveria estar morto? Eduardo relaxou, deixou-se curtir a vida de defunto - apesar da contradição do conceito. Parou de andar no meio da escada, tentou tirar a sujeira que estava em suas calças, e disse:
- Minhas chaves estão lá dentro. Não vai demorar a amanhecer, vou ficar por aqui.
Não esperava nada, poderia se jogar no chão e ficar até o sol nascer. Mas é claro que Flávia não deixaria ele fazer isto. Afinal, ela tinha as chaves de seu apartamento bem ali, e lá havia um sofá confortável para ele dormir. Mas, é claro, só ofereceria seu sofá em último - mas último mesmo - caso...
Ela imaginava que poderia ter encontrado um amigo, simplesmente porque por pouco já não fizera, tantas vezes, a mesmíssima coisa. Ele temia que ela tivesse sentido o cheiro de seu hálito, com cachaça, e assim o julgasse. Ela começava a ter idéias sobre como a vida pode apresentar maneiras inusitadas de mostrar um príncipe encantado. Ele lembrava-se de onde deixara a chave de casa, ao lado da carteira, sobre o criado-mudo, em seu pequeno quarto. Ao mesmo tempo que sua mente rejeitava a hipótese de acordar todos os colegas de quarto durante a madrugada, ouvia um som baixo, totalmente reconhecível. Seu celular estava tocando, ao lado da carteira ao lado do celular, em seu criado-mudo.
O que é não atender a um telefonema para quem deveria estar morto? Eduardo relaxou, deixou-se curtir a vida de defunto - apesar da contradição do conceito. Parou de andar no meio da escada, tentou tirar a sujeira que estava em suas calças, e disse:
- Minhas chaves estão lá dentro. Não vai demorar a amanhecer, vou ficar por aqui.
Não esperava nada, poderia se jogar no chão e ficar até o sol nascer. Mas é claro que Flávia não deixaria ele fazer isto. Afinal, ela tinha as chaves de seu apartamento bem ali, e lá havia um sofá confortável para ele dormir. Mas, é claro, só ofereceria seu sofá em último - mas último mesmo - caso...
Minutos depois
Estava caminhando pensando em como mudar sua vida quando ouviu um barulho.
Olhou pro lado. Alguém estirado na calçada. Correu pra ver o que aconteceu.
Olhou, um rapaz olhava pra cima, sem se mover.
- Você está bem?
O rapaz virou a cabeça na sua direção.
- O que houve?
- Foi um impulso de momento.
E olhou para a janela do prédio em frente.
- Uhm... eu vou ligar para a ambulância vir te pegar, você deve ter fraturado alguma coisa.
- Não, não precisa. Daqui a pouco eu levanto. Eu não achei que isso fosse acontecer.
- Isso o que?
- Que eu continuaria consciente após me jogar do 3º andar.
- E por que você fez isso?
- Quem pode entender? "Há mais mistérios entre o céu e a terra que ninguém jamais poderá compreender".
- Compreendo. Qual o seu nome?
- Eduardo. E o seu?
- Flávia.
- Olá Flávia!
- Olá. E agora, será que você consegue levantar? Eu te ajudo a subir até sua casa.
- Vou tentar.
Ela ajudou-o a levantar-se com dificuldade. Ele teria que ir para um hospital.
Quem sabe, ajudando alguém já não seria um começo de mudança em sua vida...
Olhou pro lado. Alguém estirado na calçada. Correu pra ver o que aconteceu.
Olhou, um rapaz olhava pra cima, sem se mover.
- Você está bem?
O rapaz virou a cabeça na sua direção.
- O que houve?
- Foi um impulso de momento.
E olhou para a janela do prédio em frente.
- Uhm... eu vou ligar para a ambulância vir te pegar, você deve ter fraturado alguma coisa.
- Não, não precisa. Daqui a pouco eu levanto. Eu não achei que isso fosse acontecer.
- Isso o que?
- Que eu continuaria consciente após me jogar do 3º andar.
- E por que você fez isso?
- Quem pode entender? "Há mais mistérios entre o céu e a terra que ninguém jamais poderá compreender".
- Compreendo. Qual o seu nome?
- Eduardo. E o seu?
- Flávia.
- Olá Flávia!
- Olá. E agora, será que você consegue levantar? Eu te ajudo a subir até sua casa.
- Vou tentar.
Ela ajudou-o a levantar-se com dificuldade. Ele teria que ir para um hospital.
Quem sabe, ajudando alguém já não seria um começo de mudança em sua vida...
sábado, 7 de abril de 2007
Queda
Sempre se debruçava na janela do seu quarto quando não sabia o que fazer.
Infelizmente, nada mudava ao olhar o cenário, mesmo de anteontem. Ainda se perguntava: "E agora?".
Sempre achava a idéia de embriagar-se sozinho patética, sempre considerou que quando o fizesse, aceitaria seu estado deprimente. Estranhamente, agora que começara, não achava que todas aquelas doses o deixavam tão diferente.
De sua janela, via prédios vizinhos. Podia observar pessoas nas ruas, por frestas entre dois edifícios. Uma garota com frio passeava sozinha. Alheio a ela, Eduardo percebia como a bebida o afetava. Sempre sentia impulsos de lançar seu corpo. Mas desta vez, parecia levar a sério a idéia. Não que refletisse sobre isto. Estava justamente tentando não refletir sobre nada.
Era tarde. Seus companheiros de moradia já deveriam estar dormindo. Ninguém nas janelas para presenciar seu ato. Já conhecia o tempo que demorava para uma pessoa andar de uma fresta a outra dos edifícios. A garota acabara de passar por uma, depois outra. Alguém precisava testemunhar seu feito. Talvez devesse se jogar com algum cartaz pedindo paz mundial, poderia se tornar um mártir. A garota passara pela penúltima fresta. Faria alguma diferença se morresse por ideais ou por tolice? A garota sumira atrás dos prédios. Estava prestes a reaparecer. Era sua última chance. Talvez a fome na África. Ela apareceu. Gritou para dentro, baixinho, foi mais rápido do que imaginava.
Quando seu corpo tocou o chão, quatro segundos se passaram antes de pensar: "Panaca. Achava mesmo que iria morrer caindo tão pouco?"
Infelizmente, nada mudava ao olhar o cenário, mesmo de anteontem. Ainda se perguntava: "E agora?".
Sempre achava a idéia de embriagar-se sozinho patética, sempre considerou que quando o fizesse, aceitaria seu estado deprimente. Estranhamente, agora que começara, não achava que todas aquelas doses o deixavam tão diferente.
De sua janela, via prédios vizinhos. Podia observar pessoas nas ruas, por frestas entre dois edifícios. Uma garota com frio passeava sozinha. Alheio a ela, Eduardo percebia como a bebida o afetava. Sempre sentia impulsos de lançar seu corpo. Mas desta vez, parecia levar a sério a idéia. Não que refletisse sobre isto. Estava justamente tentando não refletir sobre nada.
Era tarde. Seus companheiros de moradia já deveriam estar dormindo. Ninguém nas janelas para presenciar seu ato. Já conhecia o tempo que demorava para uma pessoa andar de uma fresta a outra dos edifícios. A garota acabara de passar por uma, depois outra. Alguém precisava testemunhar seu feito. Talvez devesse se jogar com algum cartaz pedindo paz mundial, poderia se tornar um mártir. A garota passara pela penúltima fresta. Faria alguma diferença se morresse por ideais ou por tolice? A garota sumira atrás dos prédios. Estava prestes a reaparecer. Era sua última chance. Talvez a fome na África. Ela apareceu. Gritou para dentro, baixinho, foi mais rápido do que imaginava.
Quando seu corpo tocou o chão, quatro segundos se passaram antes de pensar: "Panaca. Achava mesmo que iria morrer caindo tão pouco?"
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Ela anda pela estrada.
A rua está molhada. Há poças de água pela rua.
Chovera há pouco.
Ela sente frio.
Continua andando.
As ruas vazias. Apenas o barulho do seu salto nos paralelepípedos.
Num ponto de ônibus, um mendigo dorme.
Ela estava cansada dessa vida. Desse submundo.
As ruas são sujas e mal iluminadas.
Ela já havia prometido a si mesma não voltar mais naquele lugar.
Mas sempre voltava.
Acendeu um cigarro.
Continuou andando.
Pensou se era isso que tinha planejado pra sua vida quando criança.
Não sabia responder. Talvez fosse aquilo mesmo. Mas ainda achava que devia algo muito melhor.
Fechou um pouco mais seu casaco.
Um carro passou apressado.
Ela continuou andado, tragando seu cigarro.
Lembrou de uma velha canção...
"Pra que buscar o paraíso
Se até o poeta fecha o livro
Sente o perfume de uma flor no lixo
E fuxica
Fuxica"
É, parecia que as coisas não faziam muito sentido às vezes.
Aquilo tudo parecia um sonho, e que a vida real era tudo aquilo que ela tinha a impressão de que um dia aconteceria.
Prometeu não desistir dos seus sonhos, apesar de não saber quais eram.
Queria sair daquele submundo.
Iria pra casa. Tomaria um banho e amanhã seria uma outra pessoa.
Aquela pessoa que ela sempre quis ser, mas não sabe bem por que, ainda não era.
Amanhã.
E continuou pela rua afora.
A rua está molhada. Há poças de água pela rua.
Chovera há pouco.
Ela sente frio.
Continua andando.
As ruas vazias. Apenas o barulho do seu salto nos paralelepípedos.
Num ponto de ônibus, um mendigo dorme.
Ela estava cansada dessa vida. Desse submundo.
As ruas são sujas e mal iluminadas.
Ela já havia prometido a si mesma não voltar mais naquele lugar.
Mas sempre voltava.
Acendeu um cigarro.
Continuou andando.
Pensou se era isso que tinha planejado pra sua vida quando criança.
Não sabia responder. Talvez fosse aquilo mesmo. Mas ainda achava que devia algo muito melhor.
Fechou um pouco mais seu casaco.
Um carro passou apressado.
Ela continuou andado, tragando seu cigarro.
Lembrou de uma velha canção...
"Pra que buscar o paraíso
Se até o poeta fecha o livro
Sente o perfume de uma flor no lixo
E fuxica
Fuxica"
É, parecia que as coisas não faziam muito sentido às vezes.
Aquilo tudo parecia um sonho, e que a vida real era tudo aquilo que ela tinha a impressão de que um dia aconteceria.
Prometeu não desistir dos seus sonhos, apesar de não saber quais eram.
Queria sair daquele submundo.
Iria pra casa. Tomaria um banho e amanhã seria uma outra pessoa.
Aquela pessoa que ela sempre quis ser, mas não sabe bem por que, ainda não era.
Amanhã.
E continuou pela rua afora.
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