Havia uma revolta, um desespero que não movia um músculo do corpo de Cláudio. Seu sentimento girava em torno dele, um sentimento que nunca sentira, uma vontade de sobreviver. Queria muito chorar, mas tinha medo. Talvez precisasse de seus olhos limpos.
"Ele não tem porque me matar", tentava se convencer. "Tudo vai acabar bem". Mas sentia que estava se enganando. Sabia que estava ajoelhado por pouco tempo, mas este dilatou-se bruscamente, em cada momento de tensão. Quando percebeu que estava na mira de uma arma de fogo, quando ela tocou em sua nuca, gelada com a morte.
Perguntava-se porque, perguntava-se se deveria reagir. "É apenas um susto, ele vai me libertar". Talvez o pensamento positivo ajudasse. "Ele vai me libertar, ele vai me libertar".
Assustou-se quando sentiu seu celular vibrando no bolso da calça. Sentiu a amarga lembrança de sua namorada. Talvez nunca mais a visse. E ela chamaria em vão. Se não atendesse, talvez ela ligasse para a polícia. O último mês lhe passou pela cabeça. Exatamente quando esse mês parecia querer valer toda sua vida, essa tragédia.
Ouviu um barulho, parecia haver dois - se não três - atrás dele. Sentiu-se tremer. Fechou os olhos, esperando acordar quando os abrisse novamente. Enviou uma mensagem por pensamento para sua namorada "Desculpa, eu não volto. Te amei muito". Em seguida arrependeu-se profundamente do próprio ceticismo.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
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