segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Ao amanhecer

Pronto, amanhecera.
Ele iria embora.
Mas qual era a diferença desse momento comparado às últimas 3 horas?
os dois permaneceram em silêncio. Nem uma palavra se quer.
Ela não sabia o que dizer.
Ele nem sequer tentava.

Ela olhava para aquele rosto cabisbaixo, com o olhar perdido em algum lugar que ultrapassava o chão. Ele segurava a xícara de café entre as mãos, como se tentasse se aquecer com o calor do café, que há horas esfriara.
Ela não lembrava bem, mas se ele havia bebido 2 ou 3 goles, era muito.

Queria tanto decifrar aquele rosto sem expressão com olhos distantes.

De repente ele olhou para frente, se voltou para a janela, colocou a xícara sobre a mesa, esfregou o rosto e voltou-se para ela.
- Poxa Flávia, muito obrigado. Nem sei como lhe agradecer. Vou parar de lhe atrapalhar. Agora já devo conseguir entrar em casa.
- Tem certeza que já vai? Será que não é bom esperar mais um pouco?
- Não, não. Tenho que ir. Tenho coisas a resolver e não quero tomar seu tempo.
- Está bem então. Bom, você sabe onde moro, qualquer coisa que precisar é só bater.
- Vou me lembrar disso. - e sorriu.

Ela abriu a porta para ele.
Ele desceu rapidamente as escadas, sumindo pelo corredor.
E ela ficou parada na porta, esperando que ele voltasse.

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