Sabia que não tinha chance alguma. Mas a rejeição dói até nestes casos. "Você não o quer realmente, é outro o seu amado". Mesmo assim, ainda sentiu uma inveja da moça sentada sozinha, que recebera duas músicas e uma cantada. Obviamente ela era muito mais atraente para o músico.
Sua mão pendia no balcão. Segurava um bilhete com um telefone. Há horas se martirizava. Não queria querer, mas queria. Estava tão carente. Chegou a encarar o garçom e até um rapaz que viera com sua namorada. Isto antes mesmo de embriagar-se.
Quando acabou sua dose de whisky, caminhou até o banheiro masculino. Ali poderia encontrar o que queria. Mas estava vazio. Aproximou-se da lixeira, e em gesto teatral e simbólico, ameaçou jogar o papel que há horas segurava na lixeira. Mas parou seu movimento. "Que bobagem. O número está na minha agenda. Nunca tive coragem de apagar".
Jogou fora o papel, mesmo assim. Olhou-se no espelho. Entrou um homem no banheiro. Deveria ter a sua idade. Uns 45 anos. O desespero era grande, encarou-o de cima a baixo. O homem percebeu. Rapidamente entrou em uma cabine, e o barulho apressado da tranca.
Jorge não resistiu. Não devia estar muito certo. Abaixou-se, sentiu suas pernas doloridas, e espiou os pés do homem que urinava. E aquilo era bom. Pela simples sensação de estar espionando. Não é possível compreender nem a si mesmo.
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário