Ela anda pela estrada.
A rua está molhada. Há poças de água pela rua.
Chovera há pouco.
Ela sente frio.
Continua andando.
As ruas vazias. Apenas o barulho do seu salto nos paralelepípedos.
Num ponto de ônibus, um mendigo dorme.
Ela estava cansada dessa vida. Desse submundo.
As ruas são sujas e mal iluminadas.
Ela já havia prometido a si mesma não voltar mais naquele lugar.
Mas sempre voltava.
Acendeu um cigarro.
Continuou andando.
Pensou se era isso que tinha planejado pra sua vida quando criança.
Não sabia responder. Talvez fosse aquilo mesmo. Mas ainda achava que devia algo muito melhor.
Fechou um pouco mais seu casaco.
Um carro passou apressado.
Ela continuou andado, tragando seu cigarro.
Lembrou de uma velha canção...
"Pra que buscar o paraíso
Se até o poeta fecha o livro
Sente o perfume de uma flor no lixo
E fuxica
Fuxica"
É, parecia que as coisas não faziam muito sentido às vezes.
Aquilo tudo parecia um sonho, e que a vida real era tudo aquilo que ela tinha a impressão de que um dia aconteceria.
Prometeu não desistir dos seus sonhos, apesar de não saber quais eram.
Queria sair daquele submundo.
Iria pra casa. Tomaria um banho e amanhã seria uma outra pessoa.
Aquela pessoa que ela sempre quis ser, mas não sabe bem por que, ainda não era.
Amanhã.
E continuou pela rua afora.
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