centro, um jarro com um arranjo simples de flores do campo.
20:50 h.
O encontro estava marcado para as 21:00 h.
Ela estava feliz. Logo ele estaria na sua frente, falando de milhares
de planos, gesticulando, sonhando com o futuro. E ela poderia ficar a
noite inteira a observar aquele rosto bonito.
Um mês.
Um mês de sonho. Tudo aquilo parecia mentira...
Era tudo tão perfeito.
E no meio disso tudo, vinha aquela pontinha de medo de que tudo
poderia acabar de uma hora pra outra.
Olhou ao seu redor. A iluminação ambiente deixava os clientes mais a
vontade. As paredes em cor laranja acentuavam o clima de bem-estar.
Alguns quadros pendurados na parede.
Numa mesa ao lado, um casal apaixonado, com brilhos nos olhos e as
mãos dadas. Não falavam nada. Apenas se olhavam.
No balcão um homem, com já seus 45 anos.
21:10 h. Logo ele chegaria.
Voltou a prestar atenção no homem do balcão.
Ele olhava para seu copo de wisky. Seu olhar era distante... Em que
será que estava pensando? Na mão pendente ao balcão um bilhete.
Que seria? Sua esposa o abandonara?
O telegrama de sua filha avisando que chegaria em poucos dias?
Alguma má notícia?
Um bilhete de loteria?
Ela não conseguia ler... estava sem seus óculos.
Aliás, sempre odiara seus óculos. Na escola aqueles malditos apelidos,
que todos já conhecem muito bem. Ainda bem que essa fase de escola
havia ficado para trás. Hoje era uma garota muito mais feliz.
21:30 h. Que será que aconteceu? Ele nunca se atrasara. Pegou o
celular, discou os números que ela já conhecia de cor e salteado e
aguardou que ele lhe dissesse um "Oi querida".
O telefone tocou.
E tocou.
Tocou de novo.
Caixa de mensagens.
"Quem sabe o celular não estava à mão?"
Ligou novamente.
O telefone chamou em vão. Ninguém atendeu.
Olhou o mar pela janela. Estava belo. Bastante calmo.
Viu a lua no seu auje. Cheia. Toda branca. Iluminando a noite escura.
Viu o reflexo da mesma nas águas calmas à sua frente.
Olhou pra sua roupa. Mirou-se no espelho de bolsa.
Estava bela. Ela sabia.
21:40 h.
Pegou sua bolsa, levantou e foi embora.
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