quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Violão

Tocar na noite era um hobbie novo. Algumas vezes tocava de graça. Tocava porque gostava que admirassem sua música, seu talento, suas idéias saindo de seu violão e entrando na mente do público. Mas naquele dia não eram suas idéias que iam até o público, era a idéia de Gabriela que entrava e ficava ribombando.

Quando chegou em sua moto, cansado, já era tarde. Será que Gabriela esperava que ele ligasse? Pegou o bilhete e digitou em seu celular o número dela. Provavelmente a acordaria. Era muito tarde. Seria inconveniente. Guardou a nota fiscal com zelo em sua carteira. Ligou sua moto. Isso podia esperar.

Não colocou capacete. Quis sentir o vento em seu rosto. A noite já fora frustrante em demasia. Queria tanto vê-la. Sentia o vazio deixado pela estranha. Por que tinha de ser assim, ao acaso? Por que não poderia simplesmente se apaixonar por alguma melhor amiga?

"Quando ela acordar, terá uma surpresa." ele pensava "Não tenho medo de mostrar o que sinto. Vou ligar amanhã mesmo. Vou mostrar meu interesse.". O medo de não mais a ver o estrangulava. Dirigindo sua moto barata, pegou seu celular e começou a digitar uma mensagem enquanto acelerava nas ruas vazias.

"Bom dia querida. Te ligo mais tarde. Beijos, seu músico" Enviar. Distração. Carro no cruzamento. Desvio para a esquerda. Giro no ar. Som alto de pneu. Moto arrastando. Corpo lançado para longe. Sangue quente no asfalto frio.

Mas não se preocupe. O violão está bem.

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