quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Quase

Espionar o distraíra, e levara um susto quando o homem parou de urinar e abaixou-se. Jorge e o estranho se encararam sem querer por um instante, e depois desviaram juntos. Como o senhor havia descoberto que Jorge espionava seus pés? Não sabia, mas a situação estava constrangedora demais. Saiu rapidamente do banheiro, e na pressa esbarrou com força em uma garota distraida, atrás do biombo que conduzia aos dois banheiros.

Pediu desculpas, ela parecia bem embriagada, logo se recompôs. Jorge sentou-se na mesa mais próxima, ainda abalado pela visão do homem. Quando este saiu do banheiro, Jorge olhava o músico, e fingiu que não o percebia. E assim parecia acabar tudo bem.

Apesar da música, Jorge percebeu um barulhinho estranho, ao fundo. Parecia um celular vibrando. Aguardou que a pessoa atendesse. Demorou, mas o celular parou. Não conseguira identificar de onde vinha o som. Logo depois, a garota saiu do banheiro, e foi embora. O celular tocou novamente. Jorge prestou atenção. Vinha de uma mesa sozinha. Ao procurar o aparelho que vibrava sem parar, encontrou um celular jogado no chão. Quando o pegou nas mãos, viu o nome de quem ligava: Cláudio. No lado do nome, um coração cor-de-rosa. Olhou em volta procurando o dono ou dona. Não encontrou. Quando decidiu atender, um aviso "Bateria fraca", seguido de dois toques altos e a tela apagada.

"Hoje não é meu dia." pensou, e sentou-se novamente. "Que presunção a minha. Achar que algum dia ainda poderia ser meu..."

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