Deu alguns passos, olhou para o céu. Aquela lua que ela tinha vista pela janela estava realmente grandiosa. Andou até o fim da calçada, e ficou ali olhando aquela imensidão de água.
E sua mente viajou pelas profundezas do mar.
Viu cada coral, cada cardume que nadava num destino desconhecido.
Viu as medusas e as esponjas marinhas.
Lembrou da história da "Pequena sereia".
Essas histórias eram boas para estimular a criatividade das crianças.
Havia uma leve brisa no ar.
Ela olhou para o bar do qual acabara de sair.
"Uhm... por que não uma caipirinha?"
E voltou pra dentro do bar.
Foi aí que reparou que havia um espaço preparado para o músico da noite. É, haveria música ao vivo. Ótimo! Ela adorava.
Chamou o garçom e fez seu pedido.
22:10 h.
O músico começaria a tocar às 22:30 h.
Estava quase na hora.
O que fazer enquanto a caipirinha não estivesse pronta?
Olhou para sua bolsa. Pegou o celular e começou a passar os números. Um após o outro. Deletou o número do cara que lhe dera o bolo da noite. Ela valia mais que isso.
E foi recordando de cada nome, cada rosto, cada momento.
A caipirinha chegara. E ela continuara naquele exercício.
Uma história. Mais uma história. Mais outra.
Como sentia saudades daqueles momentos que ela estava recordando.
Precisava fazer isso mais vezes.
Estava sorrindo sozinha. Sabia que vivera. Que não se arrependia de nada.
Guardou o celular e ficou a olhar o mar, bebendo seu drink, lendo o livro da sua vida.
Nem percebera que o música já começara seu show e que o seu sorriso despertava a atenção de quem passava por sua mesa.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Cansaço
- Você não pode ficar aí jogado, acabou de cair do terceiro andar. Não está doendo?
Eduardo encostou-se na parede. Olhou-a como quem olha nuvens. O mundo todo, aliás, parecia uma nuvem, e ele, um sonhador pastor sem ovelhas. Olhava as nuvens e tentava entender suas formas, mas, no fundo, nada daquilo tinha importância.
Há dias oscilava entre essa indiferença e sua angústia profunda, incurável e cheia de folhas e galhos, tentando se camuflar entre tudo o que precisava enfrentar a cada dia.
- Você está me tratando como se eu tivesse caído. Essa dor não é nada. Eu queria estar morto.
Patético, queria estar morto e não quebrara uma perna sequer. Era um falso. Não queria realmente estar morto. Só o que não queria era estar vivo.
Flávia assustou-se, e a pergunta, o questionamento óbvio do motivo da tentativa de suicídio, não chegou a sair de sua boca. Ela olhou para a expressão do rapaz, e sentiu seu cansaço. Foi repentino o entendimento, como um soco da realidade sobre seu estado temporário de quase animação: Aquele rapaz vivia no mesmo mundo que ela, capaz de exaurir jovens aos vinte anos.
O mesmo mundo que não podia ser real, mas estava ali, inacreditável, inconcebível, e o pior: Insistente em mostrar-se irreparável. Ela começou a chorar, sem a menor vergonha de suas lágrimas, na frente de um suicida.
Eduardo encostou-se na parede. Olhou-a como quem olha nuvens. O mundo todo, aliás, parecia uma nuvem, e ele, um sonhador pastor sem ovelhas. Olhava as nuvens e tentava entender suas formas, mas, no fundo, nada daquilo tinha importância.
Há dias oscilava entre essa indiferença e sua angústia profunda, incurável e cheia de folhas e galhos, tentando se camuflar entre tudo o que precisava enfrentar a cada dia.
- Você está me tratando como se eu tivesse caído. Essa dor não é nada. Eu queria estar morto.
Patético, queria estar morto e não quebrara uma perna sequer. Era um falso. Não queria realmente estar morto. Só o que não queria era estar vivo.
Flávia assustou-se, e a pergunta, o questionamento óbvio do motivo da tentativa de suicídio, não chegou a sair de sua boca. Ela olhou para a expressão do rapaz, e sentiu seu cansaço. Foi repentino o entendimento, como um soco da realidade sobre seu estado temporário de quase animação: Aquele rapaz vivia no mesmo mundo que ela, capaz de exaurir jovens aos vinte anos.
O mesmo mundo que não podia ser real, mas estava ali, inacreditável, inconcebível, e o pior: Insistente em mostrar-se irreparável. Ela começou a chorar, sem a menor vergonha de suas lágrimas, na frente de um suicida.
terça-feira, 10 de abril de 2007
21:00 h
À sua frente, a mesa redonda com uma toalha branca de renda. No
centro, um jarro com um arranjo simples de flores do campo.
20:50 h.
O encontro estava marcado para as 21:00 h.
Ela estava feliz. Logo ele estaria na sua frente, falando de milhares
de planos, gesticulando, sonhando com o futuro. E ela poderia ficar a
noite inteira a observar aquele rosto bonito.
Um mês.
Um mês de sonho. Tudo aquilo parecia mentira...
Era tudo tão perfeito.
E no meio disso tudo, vinha aquela pontinha de medo de que tudo
poderia acabar de uma hora pra outra.
Olhou ao seu redor. A iluminação ambiente deixava os clientes mais a
vontade. As paredes em cor laranja acentuavam o clima de bem-estar.
Alguns quadros pendurados na parede.
Numa mesa ao lado, um casal apaixonado, com brilhos nos olhos e as
mãos dadas. Não falavam nada. Apenas se olhavam.
No balcão um homem, com já seus 45 anos.
21:10 h. Logo ele chegaria.
Voltou a prestar atenção no homem do balcão.
Ele olhava para seu copo de wisky. Seu olhar era distante... Em que
será que estava pensando? Na mão pendente ao balcão um bilhete.
Que seria? Sua esposa o abandonara?
O telegrama de sua filha avisando que chegaria em poucos dias?
Alguma má notícia?
Um bilhete de loteria?
Ela não conseguia ler... estava sem seus óculos.
Aliás, sempre odiara seus óculos. Na escola aqueles malditos apelidos,
que todos já conhecem muito bem. Ainda bem que essa fase de escola
havia ficado para trás. Hoje era uma garota muito mais feliz.
21:30 h. Que será que aconteceu? Ele nunca se atrasara. Pegou o
celular, discou os números que ela já conhecia de cor e salteado e
aguardou que ele lhe dissesse um "Oi querida".
O telefone tocou.
E tocou.
Tocou de novo.
Caixa de mensagens.
"Quem sabe o celular não estava à mão?"
Ligou novamente.
O telefone chamou em vão. Ninguém atendeu.
centro, um jarro com um arranjo simples de flores do campo.
20:50 h.
O encontro estava marcado para as 21:00 h.
Ela estava feliz. Logo ele estaria na sua frente, falando de milhares
de planos, gesticulando, sonhando com o futuro. E ela poderia ficar a
noite inteira a observar aquele rosto bonito.
Um mês.
Um mês de sonho. Tudo aquilo parecia mentira...
Era tudo tão perfeito.
E no meio disso tudo, vinha aquela pontinha de medo de que tudo
poderia acabar de uma hora pra outra.
Olhou ao seu redor. A iluminação ambiente deixava os clientes mais a
vontade. As paredes em cor laranja acentuavam o clima de bem-estar.
Alguns quadros pendurados na parede.
Numa mesa ao lado, um casal apaixonado, com brilhos nos olhos e as
mãos dadas. Não falavam nada. Apenas se olhavam.
No balcão um homem, com já seus 45 anos.
21:10 h. Logo ele chegaria.
Voltou a prestar atenção no homem do balcão.
Ele olhava para seu copo de wisky. Seu olhar era distante... Em que
será que estava pensando? Na mão pendente ao balcão um bilhete.
Que seria? Sua esposa o abandonara?
O telegrama de sua filha avisando que chegaria em poucos dias?
Alguma má notícia?
Um bilhete de loteria?
Ela não conseguia ler... estava sem seus óculos.
Aliás, sempre odiara seus óculos. Na escola aqueles malditos apelidos,
que todos já conhecem muito bem. Ainda bem que essa fase de escola
havia ficado para trás. Hoje era uma garota muito mais feliz.
21:30 h. Que será que aconteceu? Ele nunca se atrasara. Pegou o
celular, discou os números que ela já conhecia de cor e salteado e
aguardou que ele lhe dissesse um "Oi querida".
O telefone tocou.
E tocou.
Tocou de novo.
Caixa de mensagens.
"Quem sabe o celular não estava à mão?"
Ligou novamente.
O telefone chamou em vão. Ninguém atendeu.
Olhou o mar pela janela. Estava belo. Bastante calmo.
Viu a lua no seu auje. Cheia. Toda branca. Iluminando a noite escura.
Viu o reflexo da mesma nas águas calmas à sua frente.
Olhou pra sua roupa. Mirou-se no espelho de bolsa.
Estava bela. Ela sabia.
21:40 h.
Pegou sua bolsa, levantou e foi embora.
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Ao lado da carteira sobre o criado-mudo.
Nunca havia quebrado osso algum, e seu julgamento ingênuo dizia que estava bem. Seu corpo todo lhe causava dor, mas sempre imaginara a dor de um osso partido maior que aquilo. Tivera uma sorte azarada, a grama e a terra amaciaram a queda.
Ela imaginava que poderia ter encontrado um amigo, simplesmente porque por pouco já não fizera, tantas vezes, a mesmíssima coisa. Ele temia que ela tivesse sentido o cheiro de seu hálito, com cachaça, e assim o julgasse. Ela começava a ter idéias sobre como a vida pode apresentar maneiras inusitadas de mostrar um príncipe encantado. Ele lembrava-se de onde deixara a chave de casa, ao lado da carteira, sobre o criado-mudo, em seu pequeno quarto. Ao mesmo tempo que sua mente rejeitava a hipótese de acordar todos os colegas de quarto durante a madrugada, ouvia um som baixo, totalmente reconhecível. Seu celular estava tocando, ao lado da carteira ao lado do celular, em seu criado-mudo.
O que é não atender a um telefonema para quem deveria estar morto? Eduardo relaxou, deixou-se curtir a vida de defunto - apesar da contradição do conceito. Parou de andar no meio da escada, tentou tirar a sujeira que estava em suas calças, e disse:
- Minhas chaves estão lá dentro. Não vai demorar a amanhecer, vou ficar por aqui.
Não esperava nada, poderia se jogar no chão e ficar até o sol nascer. Mas é claro que Flávia não deixaria ele fazer isto. Afinal, ela tinha as chaves de seu apartamento bem ali, e lá havia um sofá confortável para ele dormir. Mas, é claro, só ofereceria seu sofá em último - mas último mesmo - caso...
Ela imaginava que poderia ter encontrado um amigo, simplesmente porque por pouco já não fizera, tantas vezes, a mesmíssima coisa. Ele temia que ela tivesse sentido o cheiro de seu hálito, com cachaça, e assim o julgasse. Ela começava a ter idéias sobre como a vida pode apresentar maneiras inusitadas de mostrar um príncipe encantado. Ele lembrava-se de onde deixara a chave de casa, ao lado da carteira, sobre o criado-mudo, em seu pequeno quarto. Ao mesmo tempo que sua mente rejeitava a hipótese de acordar todos os colegas de quarto durante a madrugada, ouvia um som baixo, totalmente reconhecível. Seu celular estava tocando, ao lado da carteira ao lado do celular, em seu criado-mudo.
O que é não atender a um telefonema para quem deveria estar morto? Eduardo relaxou, deixou-se curtir a vida de defunto - apesar da contradição do conceito. Parou de andar no meio da escada, tentou tirar a sujeira que estava em suas calças, e disse:
- Minhas chaves estão lá dentro. Não vai demorar a amanhecer, vou ficar por aqui.
Não esperava nada, poderia se jogar no chão e ficar até o sol nascer. Mas é claro que Flávia não deixaria ele fazer isto. Afinal, ela tinha as chaves de seu apartamento bem ali, e lá havia um sofá confortável para ele dormir. Mas, é claro, só ofereceria seu sofá em último - mas último mesmo - caso...
Minutos depois
Estava caminhando pensando em como mudar sua vida quando ouviu um barulho.
Olhou pro lado. Alguém estirado na calçada. Correu pra ver o que aconteceu.
Olhou, um rapaz olhava pra cima, sem se mover.
- Você está bem?
O rapaz virou a cabeça na sua direção.
- O que houve?
- Foi um impulso de momento.
E olhou para a janela do prédio em frente.
- Uhm... eu vou ligar para a ambulância vir te pegar, você deve ter fraturado alguma coisa.
- Não, não precisa. Daqui a pouco eu levanto. Eu não achei que isso fosse acontecer.
- Isso o que?
- Que eu continuaria consciente após me jogar do 3º andar.
- E por que você fez isso?
- Quem pode entender? "Há mais mistérios entre o céu e a terra que ninguém jamais poderá compreender".
- Compreendo. Qual o seu nome?
- Eduardo. E o seu?
- Flávia.
- Olá Flávia!
- Olá. E agora, será que você consegue levantar? Eu te ajudo a subir até sua casa.
- Vou tentar.
Ela ajudou-o a levantar-se com dificuldade. Ele teria que ir para um hospital.
Quem sabe, ajudando alguém já não seria um começo de mudança em sua vida...
Olhou pro lado. Alguém estirado na calçada. Correu pra ver o que aconteceu.
Olhou, um rapaz olhava pra cima, sem se mover.
- Você está bem?
O rapaz virou a cabeça na sua direção.
- O que houve?
- Foi um impulso de momento.
E olhou para a janela do prédio em frente.
- Uhm... eu vou ligar para a ambulância vir te pegar, você deve ter fraturado alguma coisa.
- Não, não precisa. Daqui a pouco eu levanto. Eu não achei que isso fosse acontecer.
- Isso o que?
- Que eu continuaria consciente após me jogar do 3º andar.
- E por que você fez isso?
- Quem pode entender? "Há mais mistérios entre o céu e a terra que ninguém jamais poderá compreender".
- Compreendo. Qual o seu nome?
- Eduardo. E o seu?
- Flávia.
- Olá Flávia!
- Olá. E agora, será que você consegue levantar? Eu te ajudo a subir até sua casa.
- Vou tentar.
Ela ajudou-o a levantar-se com dificuldade. Ele teria que ir para um hospital.
Quem sabe, ajudando alguém já não seria um começo de mudança em sua vida...
sábado, 7 de abril de 2007
Queda
Sempre se debruçava na janela do seu quarto quando não sabia o que fazer.
Infelizmente, nada mudava ao olhar o cenário, mesmo de anteontem. Ainda se perguntava: "E agora?".
Sempre achava a idéia de embriagar-se sozinho patética, sempre considerou que quando o fizesse, aceitaria seu estado deprimente. Estranhamente, agora que começara, não achava que todas aquelas doses o deixavam tão diferente.
De sua janela, via prédios vizinhos. Podia observar pessoas nas ruas, por frestas entre dois edifícios. Uma garota com frio passeava sozinha. Alheio a ela, Eduardo percebia como a bebida o afetava. Sempre sentia impulsos de lançar seu corpo. Mas desta vez, parecia levar a sério a idéia. Não que refletisse sobre isto. Estava justamente tentando não refletir sobre nada.
Era tarde. Seus companheiros de moradia já deveriam estar dormindo. Ninguém nas janelas para presenciar seu ato. Já conhecia o tempo que demorava para uma pessoa andar de uma fresta a outra dos edifícios. A garota acabara de passar por uma, depois outra. Alguém precisava testemunhar seu feito. Talvez devesse se jogar com algum cartaz pedindo paz mundial, poderia se tornar um mártir. A garota passara pela penúltima fresta. Faria alguma diferença se morresse por ideais ou por tolice? A garota sumira atrás dos prédios. Estava prestes a reaparecer. Era sua última chance. Talvez a fome na África. Ela apareceu. Gritou para dentro, baixinho, foi mais rápido do que imaginava.
Quando seu corpo tocou o chão, quatro segundos se passaram antes de pensar: "Panaca. Achava mesmo que iria morrer caindo tão pouco?"
Infelizmente, nada mudava ao olhar o cenário, mesmo de anteontem. Ainda se perguntava: "E agora?".
Sempre achava a idéia de embriagar-se sozinho patética, sempre considerou que quando o fizesse, aceitaria seu estado deprimente. Estranhamente, agora que começara, não achava que todas aquelas doses o deixavam tão diferente.
De sua janela, via prédios vizinhos. Podia observar pessoas nas ruas, por frestas entre dois edifícios. Uma garota com frio passeava sozinha. Alheio a ela, Eduardo percebia como a bebida o afetava. Sempre sentia impulsos de lançar seu corpo. Mas desta vez, parecia levar a sério a idéia. Não que refletisse sobre isto. Estava justamente tentando não refletir sobre nada.
Era tarde. Seus companheiros de moradia já deveriam estar dormindo. Ninguém nas janelas para presenciar seu ato. Já conhecia o tempo que demorava para uma pessoa andar de uma fresta a outra dos edifícios. A garota acabara de passar por uma, depois outra. Alguém precisava testemunhar seu feito. Talvez devesse se jogar com algum cartaz pedindo paz mundial, poderia se tornar um mártir. A garota passara pela penúltima fresta. Faria alguma diferença se morresse por ideais ou por tolice? A garota sumira atrás dos prédios. Estava prestes a reaparecer. Era sua última chance. Talvez a fome na África. Ela apareceu. Gritou para dentro, baixinho, foi mais rápido do que imaginava.
Quando seu corpo tocou o chão, quatro segundos se passaram antes de pensar: "Panaca. Achava mesmo que iria morrer caindo tão pouco?"
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Ela anda pela estrada.
A rua está molhada. Há poças de água pela rua.
Chovera há pouco.
Ela sente frio.
Continua andando.
As ruas vazias. Apenas o barulho do seu salto nos paralelepípedos.
Num ponto de ônibus, um mendigo dorme.
Ela estava cansada dessa vida. Desse submundo.
As ruas são sujas e mal iluminadas.
Ela já havia prometido a si mesma não voltar mais naquele lugar.
Mas sempre voltava.
Acendeu um cigarro.
Continuou andando.
Pensou se era isso que tinha planejado pra sua vida quando criança.
Não sabia responder. Talvez fosse aquilo mesmo. Mas ainda achava que devia algo muito melhor.
Fechou um pouco mais seu casaco.
Um carro passou apressado.
Ela continuou andado, tragando seu cigarro.
Lembrou de uma velha canção...
"Pra que buscar o paraíso
Se até o poeta fecha o livro
Sente o perfume de uma flor no lixo
E fuxica
Fuxica"
É, parecia que as coisas não faziam muito sentido às vezes.
Aquilo tudo parecia um sonho, e que a vida real era tudo aquilo que ela tinha a impressão de que um dia aconteceria.
Prometeu não desistir dos seus sonhos, apesar de não saber quais eram.
Queria sair daquele submundo.
Iria pra casa. Tomaria um banho e amanhã seria uma outra pessoa.
Aquela pessoa que ela sempre quis ser, mas não sabe bem por que, ainda não era.
Amanhã.
E continuou pela rua afora.
A rua está molhada. Há poças de água pela rua.
Chovera há pouco.
Ela sente frio.
Continua andando.
As ruas vazias. Apenas o barulho do seu salto nos paralelepípedos.
Num ponto de ônibus, um mendigo dorme.
Ela estava cansada dessa vida. Desse submundo.
As ruas são sujas e mal iluminadas.
Ela já havia prometido a si mesma não voltar mais naquele lugar.
Mas sempre voltava.
Acendeu um cigarro.
Continuou andando.
Pensou se era isso que tinha planejado pra sua vida quando criança.
Não sabia responder. Talvez fosse aquilo mesmo. Mas ainda achava que devia algo muito melhor.
Fechou um pouco mais seu casaco.
Um carro passou apressado.
Ela continuou andado, tragando seu cigarro.
Lembrou de uma velha canção...
"Pra que buscar o paraíso
Se até o poeta fecha o livro
Sente o perfume de uma flor no lixo
E fuxica
Fuxica"
É, parecia que as coisas não faziam muito sentido às vezes.
Aquilo tudo parecia um sonho, e que a vida real era tudo aquilo que ela tinha a impressão de que um dia aconteceria.
Prometeu não desistir dos seus sonhos, apesar de não saber quais eram.
Queria sair daquele submundo.
Iria pra casa. Tomaria um banho e amanhã seria uma outra pessoa.
Aquela pessoa que ela sempre quis ser, mas não sabe bem por que, ainda não era.
Amanhã.
E continuou pela rua afora.
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