Gabriela estava terminando de se livrar de todas as recordações de Cláudio.
Gaveta a gaveta, recado a recado. Todas as coisas estavam sendo jogadas fora. Sem olhar para nada, uma a uma, ela ia jogando todas as possíveis futuras lembranças num lixo que não duraria mais de uma hora em sua casa. Era esse o seu objetivo. Até que ela encontrou a primeira fotografia. Aquela que marcava o começo de tudo, quando nada existia ainda. Nem sequer o primeiro "oi" havia sido dito.
Então ela parou. Aquela foto era muito mais que ele e ela. Era o começo. O início antes do começo. A espectativa que ninguém sentia. Era ali que as coisas seriam definidas.
Um esbarrão sem querer. Seguido do um de "Me desculpe", "Não tem problema", "Está tudo bem com você?" "Sim está." E o sorriso de cumplicidade. O momento que ela sentira, era o começo. Depois o convite para um café, como pedido de desculpas. Não só isso. Como a tentativa de aproximação.
Ficou sentada em sua cama.
Pegou todas as fotos de volta. Tudo que estava prestes a jogar fora. Desamaçou uma a uma. Recordou cada momento. Ela não podia fazer aquilo. Não podia jogar fora um começo tão lindo. Um começo como aquele não merecia um final sem um adeus.
Mas ela perdera seu celular. Será que ele teria ligado? Estava ansiosa.
Só queria um abraço. Só mais um abraço...
"Onde você estará Cláudio?"
Mas pela janela de seu quarto a única coisa que via era a rua vazia.
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