"Droga, acho que vou ter que matar esse homem." pensava Jonas, enquanto dirigia, tremendo ao volante. "Acho que é o mais fácil" detestava Vinicius por tê-lo abandonado. "Mas eu não sou assassino, porra..."
A sirene que ouvira logo ficou para trás, pediram os documentos, e só. mas o susto fora grande. Agora rumava para a Universidade. Conhecia Patrício, o argentino que vendia drogas nas festas de universitários. Ele certamente saberia como lidar com o corpo. Para sua sorte, havia uma festa no campus. Era previsível, num sábado a noite.
Estacionou o carro dentro do estacionamento do campus, e abriu o porta-malas. O músico ali estava, em outra posição, teria se mexido sozinho ou pelas curvas da estrada?
- Como você está? - E na ausência de resposta, Jonas sacudiu o rapaz. Parecia péssimo, os olhos não estavam completamente fechados, mas parecia inconsciente. Como se Jonas não estivesse nervoso o suficiente, esfregou a mão no próprio rosto várias vezes, como se lavasse o rosto pela manhã, para acordar. Xingamentos passavam por seus pensamentos e alguns escapavam pela boca.
Fechou o porta-malas e saiu caminhando pela festa. Não seria fácil encontrar Patrício de noite, com tanta gente. Mas era necessário. Assim sua vida poderia voltar ao normal. E buscou incansavelmente pela pouco familiar feição do argentino, até perceber que havia bebida forte e barata a venda.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Um último retrato
Gabriela estava terminando de se livrar de todas as recordações de Cláudio.
Gaveta a gaveta, recado a recado. Todas as coisas estavam sendo jogadas fora. Sem olhar para nada, uma a uma, ela ia jogando todas as possíveis futuras lembranças num lixo que não duraria mais de uma hora em sua casa. Era esse o seu objetivo. Até que ela encontrou a primeira fotografia. Aquela que marcava o começo de tudo, quando nada existia ainda. Nem sequer o primeiro "oi" havia sido dito.
Então ela parou. Aquela foto era muito mais que ele e ela. Era o começo. O início antes do começo. A espectativa que ninguém sentia. Era ali que as coisas seriam definidas.
Um esbarrão sem querer. Seguido do um de "Me desculpe", "Não tem problema", "Está tudo bem com você?" "Sim está." E o sorriso de cumplicidade. O momento que ela sentira, era o começo. Depois o convite para um café, como pedido de desculpas. Não só isso. Como a tentativa de aproximação.
Ficou sentada em sua cama.
Pegou todas as fotos de volta. Tudo que estava prestes a jogar fora. Desamaçou uma a uma. Recordou cada momento. Ela não podia fazer aquilo. Não podia jogar fora um começo tão lindo. Um começo como aquele não merecia um final sem um adeus.
Mas ela perdera seu celular. Será que ele teria ligado? Estava ansiosa.
Só queria um abraço. Só mais um abraço...
"Onde você estará Cláudio?"
Mas pela janela de seu quarto a única coisa que via era a rua vazia.
Gaveta a gaveta, recado a recado. Todas as coisas estavam sendo jogadas fora. Sem olhar para nada, uma a uma, ela ia jogando todas as possíveis futuras lembranças num lixo que não duraria mais de uma hora em sua casa. Era esse o seu objetivo. Até que ela encontrou a primeira fotografia. Aquela que marcava o começo de tudo, quando nada existia ainda. Nem sequer o primeiro "oi" havia sido dito.
Então ela parou. Aquela foto era muito mais que ele e ela. Era o começo. O início antes do começo. A espectativa que ninguém sentia. Era ali que as coisas seriam definidas.
Um esbarrão sem querer. Seguido do um de "Me desculpe", "Não tem problema", "Está tudo bem com você?" "Sim está." E o sorriso de cumplicidade. O momento que ela sentira, era o começo. Depois o convite para um café, como pedido de desculpas. Não só isso. Como a tentativa de aproximação.
Ficou sentada em sua cama.
Pegou todas as fotos de volta. Tudo que estava prestes a jogar fora. Desamaçou uma a uma. Recordou cada momento. Ela não podia fazer aquilo. Não podia jogar fora um começo tão lindo. Um começo como aquele não merecia um final sem um adeus.
Mas ela perdera seu celular. Será que ele teria ligado? Estava ansiosa.
Só queria um abraço. Só mais um abraço...
"Onde você estará Cláudio?"
Mas pela janela de seu quarto a única coisa que via era a rua vazia.
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