segunda-feira, 16 de junho de 2008

Deliciosa expectativa

Eduardo era uma delícia. Carlinhos revirou-se na cama depois de receber a ligação dele. Teria Eduardo tomado a decisão? A decisão de aceitar os próprios desejos? Carlinhos pensava nisso e já se imaginava passando horas ao lado do tídimo rapaz que há meses encantara.

Mas Eduardo dissera conversar, só conversar. Talvez eu tenha passado uma imagem meio errada para ele, pensou Carlinhos. Isso não o impressionava, Carlinhos sempre tentara parecer sensual, boêmio, uma criatura das ruas e dos limites do corpo. Talvez fosse um bom dia para começar a ser romântico e revelar a Eduardo que há meses só se imaginava com ele, numa casa de campo, com ovelhas e cabras pastando solenes no jardim e o silêncio das línguas cansadas de tanto sexo, já que não pretendia virar padre com Eduardo ao seu lado...

Pensou em que roupa usaria, acariciou Strogonoff, o cachorrinho da casa, e teve a idéia da surpresa que faria para Eduardo. Precisava aproveitar enquanto sua mãe não chegava de viagem, teria a casa toda só pra eles. Eduardo só conhecia a intimidade do quarto de Carlinhos, hoje conheceria tudo. Teria que convencer Eduardo e vir para sua casa, e ali o esperaria um jantar romântico.

A preocupação de qual roupa usar deu lugar a uma busca por velas. Precisava encontrá-las para o jantar. E durante a busca só imaginava a cena dos dois vivendo felizes para sempre, numa certeza de que aquilo logo chegaria. Carlinhos já sofrera decepções, mas aprendera que vivenciar a expectativa é melhor do que nem isso.

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