segunda-feira, 16 de junho de 2008

Deliciosa expectativa

Eduardo era uma delícia. Carlinhos revirou-se na cama depois de receber a ligação dele. Teria Eduardo tomado a decisão? A decisão de aceitar os próprios desejos? Carlinhos pensava nisso e já se imaginava passando horas ao lado do tídimo rapaz que há meses encantara.

Mas Eduardo dissera conversar, só conversar. Talvez eu tenha passado uma imagem meio errada para ele, pensou Carlinhos. Isso não o impressionava, Carlinhos sempre tentara parecer sensual, boêmio, uma criatura das ruas e dos limites do corpo. Talvez fosse um bom dia para começar a ser romântico e revelar a Eduardo que há meses só se imaginava com ele, numa casa de campo, com ovelhas e cabras pastando solenes no jardim e o silêncio das línguas cansadas de tanto sexo, já que não pretendia virar padre com Eduardo ao seu lado...

Pensou em que roupa usaria, acariciou Strogonoff, o cachorrinho da casa, e teve a idéia da surpresa que faria para Eduardo. Precisava aproveitar enquanto sua mãe não chegava de viagem, teria a casa toda só pra eles. Eduardo só conhecia a intimidade do quarto de Carlinhos, hoje conheceria tudo. Teria que convencer Eduardo e vir para sua casa, e ali o esperaria um jantar romântico.

A preocupação de qual roupa usar deu lugar a uma busca por velas. Precisava encontrá-las para o jantar. E durante a busca só imaginava a cena dos dois vivendo felizes para sempre, numa certeza de que aquilo logo chegaria. Carlinhos já sofrera decepções, mas aprendera que vivenciar a expectativa é melhor do que nem isso.

domingo, 8 de junho de 2008

Carlos

Tinha que se apressar. Tinha marcado às 6 da tarde com Ana Paula.
Depois de tanto tempo, não queria deixar uma má impressão da pessoa que se tornara.
Não conseguiu ler o livro. Não deu. Sua cabeça ficou vagando entre lembranças da infância e a imagem de Eduardo.
Tomou um banho rápido. Umas cápsulas de guaraná. Precisava ficar acordada. Mais uma xícara de café.
"Onde será que coloquei as chaves?"
Vira e revira. Mais um gole de café. Ah, aqui está...
Pega a bolsa, o celular, fecha a porta e sai correndo pelas escadas.
Não podia perder o ônibus.
Saiu correndo pela rua atá o ponto de ônibus.
Na pressa só notou um vulto conhecido.
Carlos.
Mas seu corpo estava num embalo muito rápido, não conseguiria parar.
Carlos.
Só deu tempo e acenar num tchau antes que o ônibus partisse.
Carlos....
"Nossa, quanto tempo!"
Carlos.
Fora uma das melhores noites que tivera.
Os detalhes lhe vieram à tona. Cada palavra. cada gesto. O inexplicável acontecendo... quem diria?
Carlos... que saudades!!!
e no mesmo instante, sua mente jogava a imagem de Eduardo em alguma gaveta no sótão de lembranças sem muita relevância.