sexta-feira, 11 de abril de 2008

Conversar, e só!

Não olhou para trás, sentiu-se aliviado por deixar para trás a única testemunha de sua insanidade. Mas caminhando pela cidade, antes da mesma acordar, pensou que talvez a constrangedora compania dela era melhor que a solidão. "Eu preciso tomar uma decisão", pensava, "mas não quero." Qual seriam as conseqüências de sua demora, ele se perguntava com medo.

Quando chegou em casa, todos ainda dormiam. Foi até seu quarto, estava exausto, não banhou-se, apenas deitou-se na cama e apanhou seu celular. Uma chamada. Carlinhos. Um convite indecente, certamente. Uma mensagem. Jorge. Um convite ameno. "Uma ajudinha". Que desculpa teria encontrado?

Ignorou ambos e virou-se na cama. Queria dormir, mas ficou por muito tempo pensando. Achou que era melhor conversar com alguém. Não havia com quem. Talvez a menina que o acolhera. Talvez Carlinhos.

Um resmungo sonoolento atendeu.
"Parece que a noite foi boa ontem."
"Fiquei esperando você retornar. Umas amigas minhas vieram aqui em casa no final de noite, e bebemos vodka."
"Eu gostaria de conversar"
"Vem aqui para casa"
"Eu gostaria de realmente conversar, e só"
"..."
"..."
"Então vamos sair?"
"Era o que eu queria"
"Tem uma festa hoje, do pessoal da arquitetura"
"Passa aqui as 10, pode ser?"
"Tá combinado!"

E agora teria que decidir o que faria até as 10 da noite. Se tivesse sorte, conseguiria cair no sono. O final de semana apenas começara.

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