terça-feira, 6 de novembro de 2007

Terra e sangue

45 minutos de caminhada o levara de volta ao início do bairro em que morava.
Verificou o nome da rua. "Visconde".
Bem, estava a uns dois quilômetros de sua casa. Isso daria cerca de meia hora de caminhada.
Iria demorar a amanhecer.
Eram 3 horas da manhã.
Àquela hora não havia ônibus.
Foi caminhando lentamente pela rua deserta.
Viu ao longe um casal indo na mesma direção que ele.
Desacelerou o passo para perdê-los de vista. Queria ficar sozinho.
Ele não entendera o motivo daquele ataque súbito. Até onde se lembrava não possuía inimigo algum. Não devia dinheiro para ninguém. Não havia criado nenhum tipo de problema nos últimos tempos.
Nisso lembrou-se de sua adolescência e sua mão foi direto à cicatriz que tinha nas costas. Aqueles foram outros tempos. Ele ainda era uma criança, embora seu tamanho dissesse o contrário. Mas mudara nesses últimos 8 anos. Agora queria uma vida tranquila com alguém que lhe amasse.
Sim... e ele já encontrara essa pessoa.
Bastava lembrar-se de Gabriela que tudo o mais era secundário. Aquele sorriso ganhara seu coração.
Sentiu o impulso de ligar para ela, mas se conteve ao lembrar do bolo que acabara lhe dando por conta do mal acontecido que lhe acontecera. Ela certamente lhe perdoaria quando ele lhe contasse o que acontecera.
Numa esquina ao longe, viu as luzes de uma ambulância.
"Será que ela está no bar em que marcamos de nos encontrar?"
Percebeu que o bar era ali perto. Mudou seu rumo. Quem sabe as coisas se resolveriam ainda hoje.
Mas de repente olhou para sua camiseta e viu a mistura de terra e sangue que aqueles vândalos havia feito.
Foi então que percebeu que sua cabeça estava sangrando.

Tratou de apressa o passo para chegar logo em casa, tomar um banho e cuidar do ferimento.

Colocou o celular para despertar às 9:00h e adormeceu instantaneamente.