segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Uma xícara de café

Ela não sabia bem o que fazer.
Aquele rapaz, sentado em seu sofá lhe intrigava.
Por certo, muitas vezes ela também pensara em fazer o mesmo que ele.
Perdeu a conta de quantas vezes de debruçara na janela.
Agora percebera que aquilo não era a melhor solução.

Preparou o café e receosa o levou até seu visitante.
Não sabia bem o que falar.

- Espero que goste.
- Obrigado. Desculpe estar lhe causando todo esse transtorno. Prometo que logo irei embora.
- Não se preocupe. Não está me incomodando.
- Você é muito bondosa. O mundo  seria bem melhor se houvesse mais pessoas como você.
- Obrigada pelo elogio, mas não faço mais do que minha consciência indica. O que você faz diariamente? Quais são suas atividades?
- Ah... eu curso História e tento ocupar o restante do meu tempo com coisas à toa... isso nem sempre faz bem...
- É, eu sei. Mas História é legal.
- É sim, se você tivesse mais perspectivas profissionais além de se tornar professor, o curso seria perfeito... Mas temos poucas escolhas.
- Hum... você já pesquisou o mercado de trabalho mais a fundo?
- Esse é o ponto de vista que tenho... não sei que oportunidades existem fora desse escopo.
- Você pode pesquisar mais a fundo.
- É, poderia, se ainda tivesse motivação.
...
- O café está bom?
- Está sim, obrigado.

Pronto, o assunto acabara. Ela não sabia mais como encarar seu estranho visitante.
Quanto tempo faltaria para o raiar do dia?
O que fizera ele se jogar pela  janela?  A falta de perspectivas profissionais? Não poderia ser só isso.  Afinal, sempre é possível redescobrir novas áreas de interesse.
Será que desejava mesmo saber o motivo do ato dele?
Já não sabia mais.